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Artista

(M. Ruiz Ii / H. Bagnolli / Vs. - H. Barbosa)

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  • Tú te recolhes cansado,
    Lutaste contra o fiasco,
    E vês o espelho embaçado,
    Que odeias como a um carrasco,
    Pensar que todo teu tempo,
    Perdido na vida está,
    E que fizeste platéia,
    Num tristonho mafuá,
    És professor de mentiras,
    Um mestre para enganar,
    Dizendo que o mundo inteiro,
    Pretende te contratar,
    Não tens tostão p'ra comer,
    Mas tens que fingir cartaz,
    Que és amigo dos cartazes,
    E com eles jantarás.
    
    Artista,
    Vai ficando pouco a pouco,
    Meio velho meio louco,
    Na ambição de triunfar,
    É hora,
    De calcular friamente,
    Que a sorte neste ambiente,
    Não te quis dar um lugar,
    No corpo,
    Só tens um terno acabado,
    Quase trapo, remendado,
    Que já não vale um tostão,
    Artista,
    Que hoje é pura mentira,
    Que na miséria delira,
    Com um mundo de ilusão.
    
    E se aparece o trabalho,
    Que caso fazes do nome,
    O que te importa é o dinheiro,
    O que magôa é a fome,
    Para escapar ao relento,
    Tú vives pelos cafés,
    Mentindo, mentindo sempre,
    O que foste e o que tú és,
    Porém o espelho te conta,
    Mostrando tua figura,
    Que tudo passou na vida,
    E agora, é só amargura,
    Porém se te condenarem,
    Responderás, eu bem sei,
    Nasci para ser artista,
    E como artista, morrerei !
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