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ele tenta abraçá-la
ela quer que ele corra dela
ele precisa de um laser
para atravessar seu crânio
meios-termos e mentiras e hostilidade
lágrimas que caem em sequência
carícias frias
não escritas
conversas cada vez mais sombrias

ele diz que é um poeta
péssimo protozoário
e ele se ferra de graça
eu faço um voto de silêncio
quando ele tenta falar comigo
eu só ligo a TV

ele tenta impressioná-la, mentalmente tira suas roupas
demora mais para possuí-la
mas em seu bolso existe um buraco
ele tem centenas de talentos
carisma espalhado
parentes aristocráticos
um rebelde com coração de ouro

ele diz que é um poeta
dessa vez ele vai levar
porque ele está dançando com seu ego
eu faço um voto de silêncio
quando ele lê seu trabalho pra mim
eu engulo palavras como se fossem
placebo

ele está se escorando com sua carne mecanizada
que o deixa em pânico
ele está perdendo tempo
porque todo mundo é uma estrela
nos seus olhos

cuidado para não fazer favores
para seus vizinhos fodidos
eu tenho quem me mandou o coração dela
em um pote de plástico
todos os filmes na minha cabeça
eles tremeluzem com meu coração que sangra
um escorregão sem cuidado da língua
ou apenas outra parte privada

busca descarada por
afetos endurecidos
brigas que enferrujam
infecção grave
me encontre na
intersecção
não esqueça sua
injeção de estímulo

ele está se escorando com sua carne mecanizada
que o deixa em pânico
ele está perdendo tempo
porque todo mundo é uma estrela
nos seus olhos

você acha que esse amor é sincero
você será levado para passear
enrole seus lábios na sua cabeça
e sopre sua vida lentamente.

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