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50 Anos de Boemia - Vol.III
  • Original
Antigamente
Nos meus tempos de ventura
Quando eu voltava do trabalho para o lar
Deste bar alguém gritava com ironia
Entra mano o fulano vai pagar
Havia sempre alguém pagando um trago
Pelo simples direito de falar
Havia sempre uma tragédia entre dois copos
Nas gargalhadas do infeliz a soluçar

Eu sabia que era um estranho neste meio
Um estrangeiro na fronteira deste bar
Mas bebiam um pagava e eu partia
Para o mundo abençoado do meu lar

Hoje faço deste bar a sucursal
Do meu lar que atualmente não existe
Tenho minha história pra contar
Uma história que é igual, amarga e triste

Sou apenas uma sombra que mergulha
Num oceano de bebida o seu passado
Faço parte dessa estranha confraria
Do vermuth, do conhaque, do traçado

Mas se passa pela rua algum amigo
Em cuja porta a desgraça não bateu
Grito que entre neste bar
Beba comigo
Hoje quem paga sou eu