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50 Anos de Boemia - Vol. I
  • Original
Minha vida era um palco iluminado

eu vivia vestido de dourado

palhaço das perdidas ilusões

cheio dos guisos falsos da alegria

andei cantando a minha fantasia

entre as palmas febris dos corações

meu barracão no morro do salgueiro

tinha o cantar alegre de um viveiro

foste a sonoridade que acabou

e hoje, quando do sol, a claridade

forra o meu barracão, sinto saudade

da mulher pomba-rola que voou

nossas roupas comuns dependuradas

na janela qual bandeiras agitadas

pareciam um estranho festival

festa dos nossos trapos coloridos

a mostrar que nos morros mal vestidos

é sempre feriado nacional

a porta do barraco era sem trinco

mas a lua furando nosso zinco

salpicava de estrelas nosso chão

tu pisavas nos astros distraída

sem saber que a ventura desta vida

É a cabrocha, O luar e o violão.