Chamam-me desaparecido que quando chega já foi voando eu venho, voando vou Depressa, depressa a um rumo perdido. Quando me procuram nunca estou Quando me encontram eu não sou Ele que está na frente porque já Fui correndo mais pra lá Me dizem o desaparecido Fantasma que nunca está Me dizem o desagradecido Mas essa não é a verdade Eu levo no corpo uma dor Que não me deixa respirar Levo no corpo um castigo Que sempre me pôe pra caminhar. Eu levo no corpo um motor Que nunca deixa de parar Eu levo na alma um caninho Destinado a nunca chegar. Me chamam o desaparecido Que quando chega já se foi Voando venho, voando vou Depressa, depressa a rumo perdido. Perdido no século, século XX, rumo ao XXI.