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Touro Fumaça

(Mano Lima)

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  • Mal se fechava o rodeio, e já no primeiro momento se destacou um touro fumaça que atropelava inté o vento
    Era um zebu da canela fina que a gente duvida que existe, sempre de cabeça erguida sólito e berrando triste
    E atacando o rodeio num petiço a lasão tava um guri de dez ano que era filho do patrão
    Piazito criado solto no galpão como xiru, tinha uma estranha atração por esse toro zebu
    O toro saiu bufando no meio da cachorrada dando coice e atropelando deleito fundo da invernada
    Gurizito deu de rédia pois gostava do serviço mais quando viu o touro tava já cova do petiço
    Não deu tempo pra mais nada, foi uma cornada só e ficou o guri e o petiço tapado de sangue
    Antes de morrer disse o guri pro pai vendo a desgraça: não quero que vocês matem o touro Fumaça
    Levaram com dois laço pra manguera o dito touro pra no dia seguinte venderem pro matadouro
    Na manguera em frente as casa onde se dava o velório o touro fumaça berrava no mais tristonho ofertório
    Que noite triste para o cedro
    Enquanto velavam o defunto o touro zebu berrava e acuscado e mal, parecia arrependido e na canga desse pecado
    Ele berrava tristemente como chamando o finado
    Inté a lua lá no céu com uma tristeza que encerra iluminava mais o touro do que as outras coisas da terra
    Quase de manha calmou o berro igual um trovão e ficou o silêncio esperaniando no velório do galpão
    Quando clareo bem o dia algém foi lá na manguera e encontro o toro morto no encostado da portera.
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