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Entrevista: Tiago Iorc


Da redação, 29 de junho de 2009

Aos 23 anos, Tiago Iorc já pode olhar para trás e se orgulhar de sua carreira musical: um álbum lançado ("Let Yourself In"), com três músicas que emplacaram em programas da Tv Globo (a série teen "Malhação", e as novelas "Duas Caras" e "A Favorita") e na trilha sonora do filme recordista de bilheterias "Se Eu fosse Você 2".

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Tiago Iorc letras
Tiago Iorc

Tiago cresceu fora do país, mudando-se para a Inglaterra logo aos 10 meses. "Fui alfabetizado em inglês, mas em casa minha família falava em português para eu aprender". Desta forma, fica fácil compreender a facilidade do cantor em compor suas canções em inglês. Ele ainda viveu nos Estados Unidos, quando tinha dez anos de idade, antes de voltar de vez ao Brasil.

Suas primeiras experiências com o palco foram quando tinha uma banda, com 17 anos de idade, em Curitiba. Porém, Tiago só começou a concentrar seus esforços no processo de composição, depois de receber um convite para gravar um disco. O resultado foi o disco "Let Yourself In", de 2008, que reúne dez canções, sendo oito composições próprias. Lá estão seus sucessos Nothing But A Song e Blame.

Atualmente, Tiago Iorc está em turnê, mas ele atendeu o Vaga-lume para uma entrevista. Ele falou sobre sua carreira, a vida fora do país, influências musicas, internet e também novidades!

 Entrevista

Tiago, você já tem uma história diferente de muitos artistas por ter vivido em diferentes países durante sua vida. Como essa mistura de culturas influenciou na sua formação como músico?


Acho que qualquer experiência influencia em nossa personalidade, seja em sociedade, família ou no tipo de música que a gente ouve.

Acho que contribuiu bastante essa minha experiência morando em outros lugares, pra eu ter uma visão mais geral, não tão estratificada.



Conte como foi seu primeiro contato com a música. Você aprendeu a tocar cedo?


Foi com oito anos de idade, quando eu morava no Rio Grande do Sul. Apareceu em casa um violão, que inclusive preciso descobrir com minha mãe de onde surgiu. Não lembro bem se era de um tio ou meu avô.

Foi aí que eu comecei a fazer aula com uma vizinha minha e com ela eu peguei as noções básicas de como tocar.



Muitas pessoas comparam seu som ao de artistas como John Mayer e James Blunt. Você escuta o som deles? Existe uma influência?


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Tiago Iorc letras
O cantor e compositor Tiago Iorc

Eu toco desde pequeno, mas minha história como compositor é um pouco mais recente. Quando eu morei em Curitiba, toquei em algumas bandas, nos meus 17, 18 anos, comecei a tocar na noite, pegando a experiência de palco.

Mas a minha experiência como compositor foi exatamente para esse Cd ("Let Yourself In", de 2008), por causa desse convite para a gravação. Com certeza, na época eu me espelhei em artistas contemporâneos, que faziam um som similar ao que eu imaginava ou gostaria de fazer. Eles me inspiraram nesse sentido.

Até na época que eu parei para compor, eu tinha além de minha bagagem musical, um pouco de influência da carreira desses artistas. Acho que com o tempo e tendo a composição no meu dia a dia, já estou conseguindo compreender um pouquinho mais a minha cabeça. Acho que com o tempo vai ficar um pouco mais claro o que é o lado compositor Tiago.



E quanto a música brasileira, do que você mais gosta?


Quando eu era pequeno, em casa eu lembro de ouvir algumas coisas que meus pais escutavam, como Elis Regina, Ary Barroso.

Mas, como eu cresci no Rio Grande do Sul, quando eu era adolescente fui pegando gosta pela cena musical lá do Sul, que é uma cena bem independente do resto do Brasil. Eu acompanhava Cidadão Quem.

No Rio de Janeiro, eu conheci uma menina que é da safra nova de talentos, que se chama Maria Gadu, que é um som que eu tenho admirado bastante também.



"Nothing But A Song" foi seu primeiro grande sucesso, tocando bastante na série Malhação. Conte a história dessa música e qual foi sua inspiração para escrevê-la.


Essa música foi feita bem por acaso. Ela deve ter uns três anos agora e foi a primeira música que eu fiz. Um dia em casa, eu estava brincando com meu violão. Surgiu uma melodia na cabeça, então resolvi escrever uma letra.

A principal influência era o que eu estava passando no momento, num relacionamento que eu tive, mas também de uma forma despretensiosa porque não imaginei que ela fosse se tornar uma música. Então a própria letra, como o título dela fala "que não era para ser nada além de uma canção". Uma brincadeira minha com o violão.



Você utiliza diversas ferramentas da internet para divulgar seu trabalho (Myspace, Twitter, um blog próprio). Qual a importância delas para sua carreira?


É importante para o relacionamento e o contato que eu mantenho com os fãs. Logo de início em minha carreira, o pontapé inicial foi a minha música na televisão. Muitas pessoas conheceram meu som, mas não tinham idéia de quem se tratava.

Então, a internet se tornou um canal de comunicação com essas pessoas que se interessavam em me conhecer um pouco melhor e também para a divulgação, tanto no Brasil, como no exterior.



Seu repertório é basicamente composto de músicas cantadas em inglês. Você pretende um dia gravar um disco com canções cantadas só em português?


Eu gosto de fazer música que faça sentido para mim, honesta com o que eu estou sentido, sabe. Inicialmente, eu encontro essa honestidade na língua inglesa, acho que consigo me expressar melhor em inglês e a sonoridade é também um pouco mais compatível com o que eu gosto de fazer.

Mas, nada impede, a partir do momento que eu me sentir à vontade pra compor seja em português ou qualquer outra língua. Eu vou fazer isso sem problema algum.



Você tem alguma novidade para os fãs, além da sua turnê pelo país? Pretende gravar um novo álbum em breve?


Nesse ano eu tenho me preparado para um processo de composição. Estou continuamente escrevendo, compondo algumas idéias e aos poucos eu venho montando as músicas. Algumas coisas que já estão prontas e que eu sinto que são bacanas para mostrar ao público, eu já tenho tocado nos meus shows.

Eu acredito que em 2010, talvez no primeiro semestre, já tenha um novo trabalho, com as composições mais recentes.



Você tem algum lugar especial para compor?


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Let Yourself In é o primeiro álbum de Tiago Iorc

Não existe muita regra na verdade, o que existe na parte de inspiração mesmo é uma coisa expontânea, ela pode vir a qualquer momento. Como eu estou constantemente tendo idéias e inspirações diversas, eu procuro sempre fazer um registro logo quando isso aparece, para depois escutar com calma. O momento de criação, ele não tem hora, nem lugar para acontecer.

Depois, eu gosto de sentar sozinho em casa, analisar quais foram essas inspirações e tentar organizar um pouquinho as idéias.



O que você mais tem escutado atualmente?


Eu tenho ouvido bastante Jeff Buckley, Radiohead. Tenho ouvido bastante esses dias John Coltrane.

Também uma banda que eu acabei ficando amigo dos integrantes chamada Just Off Turner, lá de Los Angeles. Conheci o trabalho deles na internet, acabei tocando algumas músicas nos meus shows. E eles acabaram vendo alguns dos meus vídeos que o pessoal postou no Youtube, fazendo cover da música deles. Eles ficaram super agradecidos porque o pessoal no Brasil acabou conhecendo o trabalho deles, através do meu show. Então, eu indico também essa banda, que é muito boa.



Deixe um recado para os seus fãs no Vaga-lume!


Espero fazer bastante shows nos lugares que eu ainda não apareci e quem quiser manter contato pode mandar mensagens por e-mail ou pelo twitter, que a gente conversa!



PERGUNTA DOS FÃS




Tiago, você se envolveu totalmente no roteiro e direção dos seus clipes (incluindo o mais recente, Blame). Você já, ao menos, imagina como seriam outras músicas do "Let yourself in" em vídeo? (Pergunta de Vitor Mendes, do Rio de Janeiro/RJ)


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Tiago Iorc letras
Tiago Iorc, autor do sucesso Nothing But A Song

Eu sempre gostei muito de produção e cinema. Eu acabei estudando um pouco disso e me envolvendo um pouco com isso, quando eu era mais novo.

Na hora de fazer os video clipes, eu chamei umas pessoas amigas e a produção acabou ficando nas nossas mãos. Eu gosto de fazer parte do roteiro e da produção, discutir os tipos de plano, tipo de câmera e tudo mais. Eu tendo essa conexão direta com a letra e com o sentimento que eu quero passar, acho que consigo traduzir um pouquinho disso para o vídeo.

Tenho um próximo material de vídeo, que é a para a primeira faixa do disco, No One There, que eu já estou conversando com o diretor do último clipe que eu fiz.



O que te faria desistir da carreira de musical e o que mais te motiva a continuar? (Pergunta de Viviane Luz, de São João do Meriti/RJ)


O que me faria desistir: seria perceber que eu não estou fazendo o que faço com honestidade, simplesmente pelo business da música. Eu me dedico bastante para manter essa linha de pensamento e trabalho.

Motivos para continuar: são vários, como amor pelo que eu faço, amor em fazer música. A música tem uma energia tremenda, ela é capaz de transformar os sentimentos. E também a constante retribuição dos fãs, o carinho deles. Esses são os principais motivadores.



Como é o relacionamento com seus fãs diante de tantas novas ferramentas de relacionamento na internet? (Pergunta de Bianca Santos, de Campinas/SP)


Acho que tem uma coisa muita bacana nessa nova onda de relacionamento pela internet, que traz uma possibilidade que antes não existia. De o fã estar em contato direto com o ídolo.

Então, nesse sentido, cria um vínculo que faz sentido com o momento que a gente está vivendo. Por isso, eu gosto de estar ali de uma maneira profissional, obviamente. Tento manter minha vida pessoal à parte, porque aí são coisas distintas. Eu gosto de estar ali como pessoa, mas também como um profissional.

Sou um cara bem tranquilo, bem introspectivo, então, eu gosto de fazer sentido, ser honesto também nessas mídias.



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