Entrevista: Nação Zumbi
Vaga-lume - 27 de outubro de 2008
Um dos destaques do cenário independente da música brasileira no início dos anos 90, a Nação Zumbi mostra até hoje que continua ligada fortemente às suas raízes. A banda tocou no primeiro final de semana do festival "Cena Musical Independente", que ocorreu em Araçatuba, entre os dias 10 e 12 de outubro. (Confira mais detalhes sobre o Cena Musical Independente aqui).
O baixista da Nação Zumbi, Dengue, falou com o Vaga-lume sobre bandas independentes, o início de carreira do grupo e adiantou que músicas novas já estão surgindo para, quem sabe, um sucessor de "Fome de Tudo", disco lançado ano passado.
Confira a entrevista na íntegra:
A Nação Zumbi começou no início dos anos 90, em Recife, como uma das precursoras do movimento Manguebeat, que logo ficaria conhecido em todo Brasil. Hoje, quase 20 anos depois, a banda é um dos destaques do festival Cena Musical Independente, no estado de São Paulo, repleto de bandas independentes. Quais são as principais diferenças do cenário independente dos anos 90 e o de hoje?
Bom, nos anos 90 estávamos todos começando a descobrir que poderíamos achar nosso próprio espaço em meio ao império do jabá, patrocinado principalmente pelas grandes gravadoras. Como era o começo, tudo era mais difícil de fazer, conseguir patrocínio, espaços, estrutura necessária, mão de obra(não qualificada naquele tempo). Éramos apenas um bando de malucos com roupas coloridas. Talvez essas adversidades tenham dado a força necessária pra continuarmos expandindo Brasil afora a corrente chamada de “underground”. Todos se ajudavam, era realmente incrível. Hoje temos mais em todos os sentidos, mas parece que falta a energia por parte das bandas, salvo, claro, as que realmente se importam com isso e seguem esse caminho.
No início de carreira, vocês chegaram a participar de algum festival como a "Cena Musical Independente"?
Sim, vários. Sempre nos saíamos bem, sem arranhões e ainda fazíamos amizades com todos.
Mais do que ganhar um público cativo e obter sucesso com a crítica, a Nação Zumbi criou uma nova tendência e junto com o Mundo Livre S/A fundou o movimento Manguebeat. Como a banda, hoje, encara o fato de ter surgido no cenário nacional criando tendências e não simplesmente seguindo o som do momento, como tantos grupos acabam fazendo?
Nunca pensamos muito sobre essa questão, pois de alguma forma sempre soubemos que não adianta tentar seguir fórmulas. Desde o início tínhamos nossas próprias composições e por mais que ninguém gostasse, não importava muito pois nós gostávamos de compor e simplesmente seguimos em frente. O tempo provou que estávamos no caminho certo, mas em nenhum momento tínhamos consciência disso apenas fazemos o que sabemos e se é bom, ruim ou novo, as pessoas é que dizem.
Os últimos discos da banda contaram com a participação de profissionais de fora do país. Em "Futura", a banda trabalhou com o norte-americano Scotty Hard e o último disco da banda, "Fome de Tudo", teve a produção de Mário Caldato Jr., que apesar de ser brasileiro, é muito conhecido pelo trabalho com artistas estrangeiros, como os Beastie Boys. Como influi no som de vocês, tipicamente brasileiro, a visão musical de pessoas de outros países?
Gostamos da interferência deles no nosso som. Eles nos levam a lugares que jamais fomos, têm uma escola diferente no quesito produção, mixagem e masterização.
Vamos falar da atual fase criativa da banda. A Nação Zumbi ainda está na fase de curtir e tocar o "Fome de Tudo" ou novas canções já vêm surgindo, para quem sabe, um próximo disco?
Estamos fazendo os dois, pra dizer a verdade. Estamos empolgados com o que pode vir a acontecer com os esqueletos de músicas. Vamos ver no que dá.
Existe alguma novidade ou projeto que os fãs da Nação Zumbi ainda não estejam sabendo?
Sim, a Nação Zumbi vai lançar mais um disco e acabar de uma vez por todas já que os projetos paralelos dão mais grana. Brincadeiras à parte, sempre temos algo novo pra fazer. Quem gosta da banda, vai curtir ainda, pelo menos, uns 10 anos e quem não gosta vai ter que nos engolir por muito tempo, fazendo barulho e buzinando no ouvido.
Voltando ao assunto bandas novas. Quais bandas novas têm mais agradado os integrantes da Nação Zumbi, recentemente?
Chambaril, Canivetes, Academia da Berlinda, Profiterólis, Julia Says, O Quarto das Cinzas, Cabezas de Panda e Vanguart. São muitas.
Apesar da democracia que a Internet trouxe para que as pessoas comecem a divulgar o trabalho de suas bandas, vocês acreditam que ainda falta alguma coisa para o cenário independente brasileiro ser mais forte? Atitudes como a da própria Nação Zumbi, que criou um novo movimento, poderiam acontecer com mais freqüência?
É preciso arregaçar as mangas e trabalhar, montar o palco na rua, puxar energia do poste, e ligar os amplificadores. Fizemos tudo isso e faremos novamente se necessário.
Deixem um recado para os fãs da Nação Zumbi que conferem todas as letras da banda no Vaga-lume.
Falou galera! Valeu pelo carinho e mesmo com toda essa disposição ainda precisamos da pressão de vocês para andar e continuar produzindo.



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