Entrevista: Lipstick
Para a banda Lipstick, diferente de muitos grupos, tudo começou na escola... de música! Além de aprenderem juntas os primeiros acordes, elas também cresceram lado a lado e montaram uma banda, em 2000, trilhando um caminho que talvez não imaginassem onde fosse as levar.
Em 2005, Tila (bateria), Carol (baixo), Mi (teclados) e Dedê (guitarra) receberiam Mel, que nos vocais completava a formação da Lipstick como a conhecemos hoje. E desde então, a música além de diversão virou coisa séria para as meninas.
Um ano depois assinam com a gravadora Thurbo Music e lançam seu primeiro disco, em 2007. Tudo acontece rápido para a banda: aparições em revistas musicais e adolescentes, shows marcantes e hoje, em 2009, novos objetivos. Mais shows e o lançamento do segundo disco, que deve sair ano que vem.
O Vaga-lume conversou com a vocalista Mel, que nos contou sobre a história da Lipstick. Para os fãs de sempre, temos novidades: Mel falou sobre o novo disco e o andamento do trabalho! Agora, se você não conhece a banda, está aqui uma ótima oportunidade para saber quem são essas meninas, uma das mais agradáveis revelações do Pop/Rock nacional.
Como vocês se conheceram e formaram a Lipstick?
A banda começou com a Tila que é baterista e a Mi que é tecladista. Elas se conheceram em uma escola de música. Depois a Carol fez aula nessa escola e entrou para a banda.
Mas, foi tudo meio sem querer. Não era proposital ser uma banda feminina. Havia um homem no baixo, até então. E aí acabou que a Carol, que estudava com a Denise que é guitarrista, convidou-a para entrar na banda.
Tinha uma outra vocalista, que saiu para fazer uma outra banda e eu acabei entrando. Eu era amiga de uma amiga da baterista (Tila). Fiz teste com as meninas e faz quatro anos que temos essa formação.
Diferente de bandas novas que estouraram recentemente, vocês estão na estrada há um bom tempo (desde 2000). Foi difícil manter a banda por tanto tempo?
Normalmente as pessoas consideram a base da banda a partir do momento que voce monta essa banda e já está tocando.
E com a meninas foi um pouco diferente porque elas começaram meio imaturas ainda. Elas tinham 12 anos, começaram a banda com 13, 14. Então, elas iniciaram o grupo aprendendo a tocar direito e conhecendo o que era um palco. Ninguém tinha experiência até então.
Então, acho que foi mais fácil, por causa disso, conseguir durar. Porque foi todo mundo crescendo junto com a banda, entendo o que a banda queria.
Depois que eu entrei, a gente começou a fazer música própria e aí depois veio a assinatura com uma gravadora. Então, tudo teve o seu caminho. A gente conciliava isso com escola, faculdade, com tudo.
Aí foi virando um trabalho sério, conforme a gente foi crescendo. Não foi a pretensão desde o começo formar banda, fazer Cd, querer estourar... não. A gente fazia o que gostávamos e aí as pessoas foram gostando também e foi dando um resultado maior.
Em 2006, vocês assinaram com a Thurbo Music e lançaram o primeiro CD. Gravar em estúdio foi uma novidade para vocês ou já tinham alguma experiência?
Antes de assinar com a gravadora, a gente tinha uma demo com seis músicas. E quem ajudava a gente e considerávamos o nosso empresário era o dono da escola.
E ele sempre falava pra gente se quiséssemos ter uma carreira, tínhamos que começar sempre tudo certinho para não queimar nosso nome, para ter uma carreira sem falha, sem ter que desistir da banda para começar uma outra coisa.
Então, ele nos ensinou: "fez uma música, vai lá e grava". E o namorado da tecladista trabalha em um estúdio, então ele ajudou muito a gente. Cada música que fazíamos, íamos a esse estúdio e então a gente gravava. Até antes mesmo de eu entrar na banda, que as meninas tinham duas, três músicas próprias, elas gravavam algumas covers pra mandar para os barzinhos que elas tocavam.
Então, nós já tínhamos uma bagagem de estúdio grande. Tudo que a gente fazia, gravávamos. Até por isso, por ter essas seis músicas na internet, que nossos empresários hoje em dia viram nossas músicas na época e gostaram. Pois estava bem gravado, parecia um disco mesmo porque foi em um estúdio bem legal.
Como vocês escrevem as músicas na Lipstick? O trabalho é dividido ou vocês têm uma compositora principal?
O primeiro Cd teve algumas coisas mais individuais. Tipo, a Carol fazia a metade, aí eu juntava com outra metade minha. Eu fazia uma, aí a Dê fazia outra.
Mas, nesse trabalho, a gente está unificando mais as idéias. Chegamos com uma ideia básica, sem concluir mesmo. Aí senta todo mundo junto e resolvemos todas até o final, para todo mundo dar o seu palpite e gostar da música inteira. A gente quer que o trabalho fique ao gosto de todas. E como cada uma tem influências diferentes, isso acaba caindo pra música.
Então, fica com a nossa cara. Não vai ter outra pessoa com uma música parecida. Estamos nos juntando para fazer dessa forma e tá dando certo.
Vocês já estão em fase de composição das músicas do 2º CD. Ele será lançado ainda esse ano?
A gente teve uma parceria com a gravadora Som Livre e ela vai distribuir nosso outro Cd. Isso deu uma atrasada no nosso próximo disco.
A gente ia gravar em julho, para tentar lançar no fim do ano, mas a Som Livre quer relançar nosso primeiro disco, enquanto gravamos o segundo para ser lançado no ano que vem.
Estamos com mais tempo para gravar esse novo Cd. Iremos fazer isso até o fim do ano para deixar tudo bem legal e lançar no ano que vem mesmo.
Existe uma música da banda que seja a sua preferida?
Eu gosto de muita música que a gente faz, tem muita música nova, inclusive.
Do primeiro Cd, tem dos extremos: música que funciona muito para shows e música para você ouvir em casa, quando não está fazendo nada. E eu normalmento ouço MPB em casa, umas coisas mais devagares para equilibrar um pouco o meu ouvido (risos).
Eu gosto muito de ouvir mais as músicas calmas, como Eu Sei, que no show algumas pessoas ficam tocadas com ela, que choram. É uma música lenta e tal...
Mas, tem uma música do Cd novo com o mesmo clima e se chama Lágrimas, que é bem bonita. Tem uma letra legal. Eu a fiz com as meninas na praia e ficou bonita.
Ah, também tem uma alegrinha, como Na Na Na, do nosso primeiro álbum e se chama Yeah Yeah, que a galera canta, pula e bate palma no show.
Então, depende muito. Cada situação é uma música diferente.
Vocês recentemente ganharam a premiação de revelação do 8º Prêmio Jovem Brasileiro. Qual a importância desse tipo de reconhecimento para vocês?
Pra gente é muito válido mesmo e vemos que as pessoas estão valorizando nosso trabalho depois desse tempo todo.
É muito gratificante e nos incentiva muito a não desistir porque não é fácil, sabe? A gente é mulher, passamos por muito perrengue e muitas situações que a gente fala: "não precisamos estar aqui, não precisamos disso". Mas, a gente está lá porque gostamos de fazer isso e damos valor ao que a gente faz porque é importante para nós.
E percebermos que tem gente a mais que dá esse valor. Estamos no meio de tanta gente boa pra caramba e vimos umas pessoas muito importantes perto da gente ganhando prêmio também. Foi muito legal.
Ganhamos também o prêmio Dynamite, que já tínhamos ido muitas vezes assistir e um dia queríamos estar e conseguimos também.
Então, para nós é muito importante. Esse é o segundo prêmio da nossa carreira. Foi muito válido e emocionante.
Existe algum mico ou situação inusitada na carreira de vocês?
A gente é muita palhaça e sempre acontece mico. Principalmente com a baixista (Carol). Ela cai várias vezes. Ela já caiu no palco e inclusive tem até no Youtube. E todo mundo já caiu...
A galera dorme, esquece as coisas, baba nas outras (risos)... tem muita coisa besta que nos diverte. A gente é muito amiga e nos divertimos muito em viagem e sempre tem mico.
Mas, acho o que dá pra considerar mesmo é tombo no palco, que é o mico geral.
Em entrevista com a banda Agnela, elas nos contaram que ainda sofrem com atitudes preconceituosas por ser uma banda formada só por meninas. Vocês já enfrentam esse tipo de situação também?
Já. Imagina se aconteceu com as meninas da Agnela, que é uma banda mais recente... imagina a gente, né?
Quando começamos, não tinha banda de menina. Era só a vocalista ou alguma guitarrista, baterista e olhe lá. Então era bem pior.
Eu lembro de vezes que fui barrada para entrar no palco porque o segurança achou que eu era fã.
A gente já ficou sem camarim, em show grande, porque o cara falou: "Imagina que vai tocar banda de mulher na minha casa. A galera não vai querer nem ver. Vão fazer estrago".
Niguém confiava na gente. Ainda mais porque a gente é muito pequenininha, parece criança e magrinha (risos). Então, todo mundo olha meio torto, no começo.
Agora não. A gente já tem uma carreira, tem um nome. Então, as pessoas já sabem que a gente faz um negócio direito, que a gente se importa com isso e queremos tocar. Às vezes a gente chega em umas casas que as pessoas só ouviram falar e os técnicos olham feio, acham que nós não sabemos passar o som e depois acabam pedindo desculpas e vêem que nós sabemos fazer o negócio, que estamos trabalhando sério, que não somos tão novinhas quanto parece, tão inexperiente.
Mas, eu acho que de certa forma isso nunca atrapalhou. Pelo contrário, a gente vê que todo mundo acaba pedindo desculpas depois, então tá tudo bem.
Conte para a gente quais músicas e artistas você tem escutado para se inspirar ou mesmo por ouvir.
Eu não sou muito de buscar uma música para inspiração. Eu escuto de tudo, muita coisa velha, coisa nova.
Como eu já falei, gosto de algumas coisas mais calmas, então escuto muito Marisa Monte, Ana Carolina, Lenine, umas coisas assim.
Mas eu gosto também de umas coisas alegres e gringas. Tem bandas de amigos meus que gosto de ouvir, escuto Gloria, Granada... tem um monte de banda "massa".
As meninas também gostam de coisas com grito, berro. Eu sou mais sossegada, mas também escuto Foo Fighters, coisas mais rock 'n roll antigas, clássicos. Eu gosto de muita coisa.
Mande um recado para os seus fãs do Vaga-lume!
Eu queria mandar um beijo para todo mundo do Vaga-lume pela força e pra galera que acessa.
Preciso colocar umas letras novas aí no Vaga-lume pra galera poder cantar direito no show. É isso aí. Beijão pra todo mundo, obrigado mesmo pela força e carinho. Valeu!







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