"Não quero ser Bono Vox, quero ser é Iggy Pop", Nasi.
Vaga-lume - 17 de maio de 2006
Nasi já está com 25 anos de carreira. Nesse tempo ele cantou no Voluntários da Pátria, deu apoio ao nascente movimento hip hop paulistano, virou bluesman e viveu como poucos uma vida bem rock'n'roll. Mas foi como vocalista do Ira! que ele se tornou uma das figuras mais reconhecidas do rock brasileiro.
Vamos falar do seu disco solo. Ele me pareceu uma somatória de vários "Nasis", o bluesman, o rockeiro e o pioneiro do hip hop. Era essa mesma a intenção sua?
Foi sim, Nesse disco eu trabalhei desgarrado de uma banda, diferentemente dos meus trabalhos com o Ira!, o Nasi e os Irmãos do Blues. Esse é um disco autoral não só no sentido de composição e interpretação mas também de produção. Nesse sentido então eu realmente procurei fazer um caldeirão de misturas, algo próximo de trabalhos que eu fiz com o Ira! Em álbuns como o 'Psicoacústica' ou o 'Você não sabe quem eu sou'. Ou seja, esse é um disco que experimenta mais, apesar de eu não gostar muito desse termo “experimental” já que ele dá a impressão de que você está testando coisas que não sabe aonde vão dar. Mas nesse disco eu acabei testando possibilidades de fusão de gêneros, de colagens sonoras, essa coisa de loops que sempre me fascinaram dentro da linguagem do hip hop, essa possibilidade que o Dj ou o produtor têm de se utilizar de recursos como o de colar trechos de vinis antigos, da mesma forma que você como um DJ pode fazer um funk usando uma batida disco de rock dos anos 60, é mais ou menos a mesma coisa que eu estou tentando fazer nesse disco.
Você regravou uma antiga música do Erasmo ("É preciso dar um jeito meu amigo", do disco carlos, Erasmo de 1971). Eu sinto que tanto você quanto o Ira! têm uma relação forte com ele (no seu caso a fama de durão de bom coração). Fale um pouco sobre isso.
(rindo) Obrigado! Fico lisongeado com a comparação. Mas eu acho que na medida em que o Erasmo Carlos sempre foi um rockeiro assumido, diferentemente do Roberto Carlos que começou no rock lá na Jovem Guarda para depois se tornar definitivamente um cantor romântico. O Erasmo não, queira ou não, ele sempre foi um rockeiro. Para mim ele, ao lado do Raul Seixas, são os dois grandes ícones do rockeiro brasileiro. Eu só troquei umas poucas palavras com ele, mesmo porque ele mora no Rio e eu em São Paulo. Quanto a regravação, ela foi a última música a entrar no disco. Durante as gravações que o (produtor) Apollo 9 me apresentou a esse disco do Erasmo, um disco que, para falar a verdade eu nem conhecia direito. Ele me mostrou diretamente essa faixa e disse: “Escuta isso aqui que é a sua cara e tem muito a ver com o que estamos fazendo aqui”. E tinha mesmo, tanto que eu fui super fiel ao arranjo inicial. Eu só me vali de recursos que acho que na época ele não tinha, para tornar a coisa um pouco mais maluca.
Ainda nesse assunto, o Gil uma vez disse que se sentia um pouco como o Erasmo Carlos da história. Pensei que essa mesma frase poderia ser usada em relação ao Ira! Você concorda?
Eu acho que sim. Isso que você está falando faz bastante sentido.
Uma vez você disse que costumava ser o fã das novidades musicais e que o Edgard (Scandurra guitarrista e principal compositor do Ira!), era mais conservador. Mas isso mudou tempos depois. Você descobriu o blues e o Edgard o tecno e toda a cena eletrônica...
É verdade (rindo) é irônico, mas a mais pura verdade...
Já hoje em dia eu sinto que vocês dois estão em ambas praias.
Eu acho que sim, sem dúvida nenhuma, teve essa movimentação, e dentro de uma banda isso é bastante interessante. Enquanto tiverem essas diferenças, mas existir harmonia, isso só enriquece o trabalho. Mas eu vejo da seguinte forma: eu me apeguei pela linguagem do hip hop, e existe um elo entre ele e a música eletrônica, com toda essa coisa de DJ's e tal, primeiro por conta do meu fascínio por discos, eu entrei na música graças a essa coisa de ser colecionador de vinil. Tanto que eu cheguei a ser Dj no início da minha carreira, óbvio que numa época onde não existia glamour nenhum nessa profissão, a gente era mais um "peão do disco" (risos). Mas eu adorei essa revolução do DJ ter virado músico. Mas, principalmente eu me atraí pelo rap porque ali a coisa mais importante é a palavra e eu como cantor, obviamente tive a cabeça mexida com tudo aquilo. E hoje compreendo perfeitamente o fato desse meu fascínio não ter tido correspondência no Edgard, exatamente por esse motivo. Da mesma forma, a música eletrônica por ser primordialmente instrumental, jamais me chamou a atenção mas atraiu o Edgard exatamente por esse motivo. O Edgard sempre teve influência de rock progressivo e eu acho que ele viu na eletrônica um desafio e uma forma de fazer música onde a palavra não importava mais.
Vi o show de vocês no Campari rock e senti que o Edgard ficou mais invocado com a matéria "os tiozinhos do rock" publicada pela Veja e você não. Queria que falasse um pouco sobre essa coisa de envelhecer e ser rockeiro.
Em primeiro lugar, a matéria da Veja foi elogiosa à minha pessoa. Pra te falar a verdade eu não gostei muito da atitude do Edgard. Acho que ele tava meio doido, né(risos)? A gente até já conversou sobre isso. É claro que quem pega aquela matéria já vai pensar que vai ler algo pejorativo por causa do título: "Tiozinhos do rock". Mas no final o que o Sérgio Martins (o jornalista que escreveu a matéria) fez foi apenas reproduzir a opinião do Nick Hornby (o escritor inglês autor de "Alta Fidelidade" e "31 canções") que é muito interessante e verdadeira ao dizer que a idade dá e tira coisas de você. Eu te digo que não troco esse momento dos meus quarenta anos, onde vivo a melhor fase da minha carreira, pela época em que tinha vinte e cinco. Claro que se eu pudesse ter um pouco mais de cabelo e tal seria bom né (risos)? Mas quando você pega os Rolling Stones, que são um exemplo de banda que sempre manteve a sua essência, que nunca precisou modernizar a sua sonoridade além de um certo limite. Apesar de que ao ouvir os discos dos Stones sempre se ouve um padrão moderno de produção.
Talvez o mais difícil seja aceitar que se está envelhecendo...
Também. Mas eu sempre fui fã de artistas mais velhos, por isso o blues me atrai tanto. Senão a gente vai se resumir a que? A uma geração de menudos? Jovem para sempre? Eu acho que muita gente se mordeu com a matéria nesse sentido. É claro que eu preferiria um título como: "O garanhão do Rock" (risos). Mas cara, depois de bater muita cabeça eu parei de me levar tão a sério. E a matéria foi elogiosa ao meu trabalho e segundo que ali foi falada uma grande verdade: a que existem artistas que ficam repetindo maneirismos juvenis que já não lhe cabem, as vezes por falta de capacidade de crescer. Enfim, eu não gostei daquela manifestação do Edgard (no show do campari Rock o guitarrista disse que tiozinho era a PQP entre outras coisas), mesmo porque não havia nem contexto lá. Ainda se tivesse gente da platéia berrando: "Tiozinho! Tiozinho!" (risos), vá lá. Eu mesmo seria o primeiro a partir pra cima. Ao mesmo tempo, as canções do Edgard falam sobre as dúvidas e sobre o tempo passando na nossa vida. Essa coisa de "o que cantarei depois", "envelheço na cidade", "e aqui estou sozinho com o tempo"... Eu acho isso tudo muito interessante, essas questões do tempo, do amadurecimento, fazem parte de muitas coisas escritas pelo Edgard. Enfim, eu acho que o Edgard passou um recibo que não precisava.
O nosso público é no geral bastante jovem, talvez eles não saibam que o Ira! Foi formado quando vocês ainda estavam na escola. Fale um pouco dessa época pra gente.
É verdade, a gente está com mais de 25 anos de carreira. Nós começamos muito jovens. O legal é ver que quando o Ira! começou, a gente não estava ligado em boys-bands ou em artistas descartáveis. Não, com 17, 18 anos a gente consumia o que havia de mais rebelde e com mais conteúdo do rock.
Mas vocês eram a exceção dentro do grupo ou...
Sem dúvida. Dentro do nosso colégio era assim: Tinha o grupo dos rockeiros, e foi assim que eu conheci o Edgard, no pátio do colégio, matando aula, já que os rockeiros naturalmente se atraem né? A gente ficava batendo papo, falava sobre discos... e tem aquela época na vida em que as bandas de rock são meio que nem time de futebol. Então a gente ficava naquelas de "Ah eu sou fã do Led Zeppelin" e o outro retrucava: "Que nada, o Black Sabbath é melhor". É um pouco daquela necessidade juvenil de estabelecer dentro de uma tribo que te identifique e diferencie dos outros. Eu e o Edgard nos aproximamos mais ainda por causa do advento do punk em 1977, já que o punk dividiu os fãs de rock. Muitos não aceitava aquilo, falavam que era uma música mal tocada. Mesmo porque é óbvio que não dava para comparar o Ian Paice do Deep Purple com o Paul Cook dos Sex Pistols como bateristas. Mas eu o Edgard estávamos atrás não disso (de música muito trabalhada), mas de uma música mais emergencial, contestatória. Enfim queríamos as letras e a postura do punk rock. Naquele momento aquela coisa pomposa do rock progressivo e mesmo do rock pesado da época já não faziam mais sentido para garotos como eu e ele.
O Edgard já tocava toda aquela guitarra nessa época?
Já tocava sim. Com 17 anos ele já tocava pra burro
Acho engraçado isso, já que era de se esperar que naturalmente ele não fosse se interessar tanto pela crueza do punk...
Essa é uma das grandezas do Edgard. Ele é um virtuose, mas soube sacar a real importância do punk. Na nossa escola tinham vários músicos excelentes, mas nenhum deles seguiu carreira como músico porque não perceberam que rock serve para isso, para contestar comportamentos. Que ele precisa ser uma música de contestação social, uma música simples que qualquer garoto possa tocar depois de aprender três acordes e que a música deve ser só um veículo para que você fale o que precisa ser dito. Enquanto que quase todo o rock anterior era apenas um festival de exibicionismo técnico. Esse foi o lance do Edgard, ele viu que você pode ser um grande músico e não ser um artista. E também pode ser um artista sem ser um grande músico. Isso acabou separando a gente do resto do pessoal. Acho que só eu, ele e mais um garoto curtíamos Sex Pistols e Ramones, o resto dava risada.
Você consegue traçar uma comparação entre a sua época de adolescente e os dias de hoje? Do que sente falta na molecada de hoje. E tem alguma coisa que esse pessoal tem que você gostaria de ter tido?
Hoje o acesso à informação é muito grande. A gente não tinha Internet, programas de televisão ou rádios que tocassem as músicas que nos interessavam, então fazíamos parte de guetos de curtidores rock. Hoje em dia um garoto pode ter acesso imediato a uma banda que está começando a virar hype em Londres ou Nova York. Para nós isso sempre foi uma impossibilidade. Mas exatamente por causa dessa eterna mudança e reformulação, o rock continua com a mesma força hoje que na minha época.
Uma coisa que era bastante forte nessa época era a militância política. Você sempre que pode faz campanha pelo PcdoB e coisas assim. Nessa área duas perguntas: como vê o atual movimento político. Você está entre os que se sentem traídos? E você sente a falta de um maior engajamento político (ou em políticas) pelos nossos jovens?
Sim, eu sou filiado ao PCdoB, me envolvi com a Juventude Socialista quando cursei alguns semestres de História na USP e sou de uma família de professores, com muita gente socialista. Mas sinto hoje um desencanto muito grande. Eu mesmo me sinto muito desencantado. Já estou quase que fazendo campanha pelo voto nulo. Porque parece que se você tem na eleição acima de 50% de votos nulos, todas as candidaturas precisam ser recolhidas e tudo seria renovado. Acho que isso seria bem interessante, né? Eu acho que depois da queda do Muro do Berlim, resolveram proclamar que a história e as ideologias tinham acabado. Mas hoje a gente viu que não é bem assim. Ao mesmo tempo a gente vive um vazio muito grande na medida em que não existe mais o equilíbrio entre o que é cultural, político e econômico. Hoje em dia o que manda no mundo é simplesmente o econômico. Eu fiz o que tinha de fazer, agora cabe á juventude, e não a tiozinhos como eu (risos), dar seqüência ao plano. Eu estou aqui agora para bater palmas e jogar mais lenha na fogueira.
Nos anos 80 vocês tinham a fama de banda encrenqueira. A informação procede? (risos)
Procede totalmente. Eu acho que isso vinha de nossa capacidade de nos adequarmos aos veículos de comunicação. Afinal a gente montou a banda não foi pra ficar fazendo play-back ao lado de artistas descartáveis. A gente imaginou que o rock iria ter uma cena toda própria de programas onde você poderia se mostrar como era. É muito importante que uma banda de rock toque ao vivo, porque ele é diferente de outros estilos onde a dancinha é que é o importante. Para a gente não, o importante é um solo de guitarra, o berro do cantor, o peso do surdo da bateria. Então por isso, a gente sempre se sentiu inadequado com as formas de divulgação do trabalho. A gente sempre bateu de frente com coisas que já eram estabelecidas. É aquela coisa de "vivendo e não aprendendo" (uma alusão ao disco de 86 do grupo), ou como eu entendo essa frase, ou seja, que para se viver é preciso desaprender certas coisas, ou não aprender certas coisas. E a gente não queria aprender essas coisas. Que para fazer sucesso você precisa fazer esse tipo de concessão, tem que fazer jabá pro Chacrinha e coisas assim. E por isso de uma maneira até pejorativa as pessoas nos taxavam de espíritos de porco e por aí afora. E na verdade a gente só não queria que as coisas fossem assim, ao contrário de outros caras de bandas da nossa geração falavam: "ah, é assim que as coisas são".E o resultado é que muitas dessas coisas mudaram. Por exemplo, quando a gente brigou com a organização do Holywood Rock em 88 e falamos que as bandas brasileiras não estavam ganhando cachê e nem sendo respeitados pela produção em relação ao volume de som e uso das luzes. O que era uma grande verdade. E os artistas brasileiros naquela época já estavam disputando a popularidade com os estrangeiros com mais igualdade. Hoje em dia isso parece ser uma coisa normal e lógica, mas há vinte anos não era.
Queria que você fizesse um balanço do show e cd acústico. Achei que agora, mais até do que na época do Isso é Amor e do Ao Vivo MTV (os discos que "apresentaram" o Ira! Para a geração MTV em 1999 e 2000), vocês realmente ganharam um público novo, que jamais tinha ouvido a banda antes.
Senti, mas esse processo eu já percebo desde esses dois discos que você falou. Esse público está nos conhecendo através da MTV e, faça as críticas que fizerem à emissora, o fato é que ela dá espaço para muitas coisas diferentes. Ainda que 70% do que apareça na MTV possa ser chamado de baba, os outros 30% são fundamentais dentro desse processo que a gente tem de sedimentação do cenário independente. E isso se reflete no nosso trabalho. Os clipes do "Isto é Amor" passaram bastante na MTV, o Ao Vivo MTV trouxe esse público para a gente e o Acústico o que aumentou mais ainda. Eu acho legal isso, mesmo porque eu não conheço nenhuma banda que preste cuja média de idade do público seja de 30 anos (risos). Eu mesmo vou pouco em shows e geralmente em lugares pequenos. Eu não tenho mais saco pra essas coisas. A gente volta àquela história do que se perde e ganha com a idade. Enfim isso é bacana pra gente. Já que não é qualquer artista de quarenta anos que consegue ser admirado por um público com metade ou menos que essa idade.
Outra coisa que sempre caracterizou vocês foi a força dada para artistas mais novos ou desconhecidos (de cabeça lembro de Thaíde, Wander Wildner, Frank Jorge, Júpier Maçã)...
Eu não sei se gosto dessa palavra "força" porque fica parecendo uma coisa meio altruísta nossa. Eu costumo dizer que o Ira! é a única banda que consegue navegar no underground e no mainstream. Tanto que nossos trabalhos solos são independentes. Mas eu acho legal poder fazer isso. Eu estou dando uma força por Relespública, logo mais vou dar canja no show do Forgotten Boys... Eu acho legal porque dentro dessa cena onde todo mundo é bicudo, eu vejo que sou um cara respeitado. E também tem aquela coisa de eu adorar tocar em lugares pequenos e se eu perder isso eu perco a minha alma. Tocar pra muita gente, ou se tornar uma banda de arena, como muitas da minha época viraram é muito fácil. Você abre os braços e fica se achando o Bono Vox, U2. Mas eu não quero ser o Bono Vox, eu quero ser o Iggy Pop. E é isso que me leva a tocar em um barzinho para duzentas pessoas, isso me diverte pra c*. Se não for isso eu vou virar o que? Um desses astros da MPB que só aparecem no final de ano no especial do Roberto Carlos?
Você está apadrinhando o pessoal do Relespública. Fale desse trabalho feito com eles. Você já os conhecia faz tempo?
Eu sou suspeito para falar porque acho o Relespública uma das melhores bandas do Brasil. Eles começaram abrindo os nossos shows. Com 13 anos eles ficavam na fila do gargarejo. E a gente tem uma identidade musical muito forte, nessa coisa de bandas como The Who e The Jam. Eu participei desse DVD deles cantando "A Fumaça é melhor que o Ar", que foi uma das primeiras músicas do Ira!, ela era um sucesso underground que estava perdida no tempo. E eu acho bom, já que não havia ninguém melhor que eles para resgatar essa música, até pela semelhança de estilos. Além do que uma música que fala que "A fumaça é melhor que o ar e o frio que o calor" só poderia ser gravada por uma banda ou de São Paulo ou de Curitiba. Imagina um carioca gravando isso (risos).
Você geralmente canta as letras compostas pelo Edgard. Queria saber como é essa coisa de ter de cantar a partir do ponto de vista de outra pessoa.
Eu acho que o poder de interpretação de uma música muitas vezes é subestimado. Tem várias canções do Edgard que mudaram a sua intenção ou mesmo densidade pela maneira que eu as cantei. Para mim o mais importante como cantor é achar uma canção que eu queira cantar. Independente ou não de tê-la composta. Pegue "Como Nossos Pais" do Belchior. Você consegue dissociá-la da Elis Regina? Ela praticamente se tornou autora da canção. Mas os trabalhos solos servem exatamente para isso. Tem coisas que o Edgard escreve que ele mesmo quer cantar. As vezes ele faz isso no Ira! E as vezes nos discos dele. Eu também. As coisas mais esquisitas do Ira! são minhas. Coisas como "O Advogado do Diabo", "Melissa". Mesmo porque eu não toco nada, eu componho a partir de idéias, melodias e palavras. De qualquer forma eu posso falar que eu sou o maior intérprete das músicas do Edgard, afinal todos os sucessos dele foram na minha voz.
E o novo disco do Ira!? Sai quando?
A gente estava pensando em gravar no segundo semestre. Mas essa é a primeira vez em que o trabalho solo meu e o do Edgard saem no mesmo ano, então a gente está muito envolvido nisso. E nós também concluímos que, nesse estágio em que estamos, a banda tem a obrigação de lançar discos bons e na hora em que ela quiser. Esse ano então a gente planeja fazer shows, dar espaço para esses trabalhos solo, porque eu acho que estamos numa fase importante de amadurecimento desse nosso lado, compor com calma - amanhã mesmo eu vou na casa do André (Jung, o baterista da banda) mexer em uma letra que o Gaspa gravou no pro tools com ele. Daí tirar umas férias de final de ano e voltar em março e se dedicar totalmente ao Ira!.
O Ira! parece que agora é muito mais uma banda do que apenas um veículo para as canções do Edgard. É por aí?
Sem dúvida, tanto que para o próximo disco existe uma idéia da gente pela primeira vez dar um crédito coletivo em todas as músicas.