Entrevista: Forfun 2009
Da redação, 05 de maio de 2009
Vocês se lembram do Forfun? Isso, aqueles cariocas que faziam um punk bem ao estilo das bandas da California, fez sucesso com História de Verão e participou do 5 bandas MTV? Bom, informamos que aquela banda não existe mais.
O Forfun 2009 pode até ter alguma influência de hardcore em suas veias, afinal isso não se perde, mas a banda que está lançando o álbum "Polisenso" e em nada lembra o grupo que surgiu em uma enorme cena de hardcore no meio dessa década.
"Polisenso" traz 19 faixas contando as músicas bônus e é praticamente um disco de reggae e dub com muita eletrônica. Apesar da estranheza que poderia causar nos fãs menos abertos à experimentações, o resultado vem se mostrando positivo e a banda está bastante animada.
Quem nos conta mais sobre esse novo momento da banda é o simpático guitarrista e vocalista Danilo Cutrim. O resultado do papo está logo abaixo.
A última vez que conversamos com vocês foi no começo de 2006. Vamos colocar o pap o em dia e contem o que rolou nesse tempo.
Da última vez que a gente se falou nós já estávamos pensando nas músicas novas. Logo depois rolou o MTV 5 Bandas ao vivo. Para esse projeto eles pediram 4 músicas de cada banda,sendo dois “sucessos” e mais duas inéditas. Ali a gente já teve a chancede testar algumas novas sonoridades, porque a gente já vinha fazendo umas coisas diferentes. Ali lançamos o Groovi QuÂntico e Siga o Som que já mostravam o que ia vir pela frente. Elas já têm uma pegada mais eletrônica, com a pegada de reggae e um pouco de rap.
No início de 2007 a gente alugou uma casa e fez um estúdio. Esse lugar foi muito importante pra gente. Ali criamos uma rotina de se encontrar para produzir; fazer os arranjos, escrever as letras ou tocar mesmo. A gente passou 2007 basicamente compondo e em 2008 gravamos o disco.
Vamos falar dessa guinada sonora no som da banda. O disco todo tem uma pegada de reggae e dub. Vocês se cansaram do punk?
A gente está com 26 anos de idade na média. Quando começamos tínhamos 17. Nessa época ouvíamos muito Blink 182, NOFX, Bad Religion o povo do punk californiano e essas foram nossas primeiras influências musicais. Então essa mudança foi muito natural, a gente começou a ouvir muito reggae e muita música brasileira como os Novos Baianos e também descobrimos o James Brown e bandas como 311, Red Hot Chili Peppers, Faith no More e começamos a ir nessa onda, fizemos alguns reggaes, uns dubs, e essa coisa caindo pro groove. Arriscamos até alguns raps.
Como o público mais tradicional de vocês está reagindo ao novo disco?
A gente ficou meio ressabiado com isso. Mas ela está aceitando numa boa. Claro que não dá pra agradar todo mundo. E talvez a gente agora conquiste um público novo também. Nós fizemos um show recentemente no Circo Voador e na plateia tinha de tudo: molecada, gente velha, branco, preto, loiro, gente de dreadlock...
O disco anterior foi produzido pelo Liminha e dessa vez a própria banda tomou conta da produção do álbum. Como foi assumir esse trabalho?
Não teve briga não, a gente é superamigo dele e temos o maior carinho. Foi só uma incompatibilidade. Quando a gente ia gravar o disco ele estava com vários projetos e indo direto pro exterior. Foi quando vimos que ia ser a gente mesmo que ia ter de fazer o disco.
Desde o começo a ideia de vocês era a de não ter produtor ou teve algum outro motivo que levou a isso?
A gente quis fazer por nós mesmos. A gente já estava com estúdio. Nosso técnico de PA deu um apoio absurdo, ele gravou o nosso disco inteiro. E isso foi um grande privilégio. Você conseguir gravar o seu disco com o cara que faz o teu som ao vivo é a melhor coisa. Então teve a nossa força de vontade e a nossa organização, mas também pudemos contar com um suporte de toda nossa equipe.
O CD está sendo lançado de forma independente. Vocês queriam assim desde o começo ou não tiveram outra escolha mesmo?
A gente encontrou um empresário legal que trabalha principalmente a internet. O nosso trabalho desde o começo foi muito baseado na internet e essa percentagem cresce cada vez mais. Ali é o nosso foco. Se acontecer de pintar alguma rádio, como anda rolando, ou televisão, maravilha, mas basicamente a gente trabalha mesmo em cima da internet.
Daí a coisa de lançar o disco também como um download gratuito?
Sim, mas a gente não fez isso para ir contra alguma coisa ou modelo. Foi algo natural, a gente fez as músicas, estávamos tomando um rumo diferente e queríamos que o maior número de pessoas ouvisse aquilo ali. Então tentamos facilitar ao máximo isso. A gente botou no site um arquivo com o cd inteiro e mais o encarte e as letras e se surpreendeu. Não imaginamos que tantas pessoas fossem baixar. Foram 90 mil downloads só no primeiro dia e já está chegando nos 500 mil. Fora que no Brasil você conta nos dedos quem ganha dinheiro com disco. O negócio mesmo é show e ao lançar o disco assim, achamos que a galera ia assimilar as novas músicas mais rapidamente e os shows aumentariam. E é o que está rolando.
Você sabe por que tantas músicas de outras bandas são atribuídas ao Forfun? Já teve gente reclamando a ausência de 7 a 1 eu não sou seu (música da banda Offline que muitos pensar ser do Forfun) nos shows (risos)?
Não muito, mas já rolou sim (risos). Mas isso é porque as bandas vieram todas com influências muito parecidas no início então sempre tem quem vai achar que alguma música do Scracho é da gente. Se você pegar uma música nossa e uma do Fresno feita há cinco anos, realmente tinha alguma coisa a ver. Eles já tinham um vocal mais melódico e tal, mas ainda assim havia semelhanças. Já hoje em dia com três segundinhos de uma música nossa ou deles já dá pra saber quem é quem.




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