Entrevista: Dunne
O cantor e compositor Dunne está lançando o seu primeiro álbum. Gravado no exterior com produtores estrangeiros, ele faz música eletrônica de pista sem abrir mão de um apelo pop radiofônico. Nesse bate-papo ele nos conta um pouco sobre a sua carreira, como foi gravar um disco na Europa e o que espera para o futuro.
Vamos começar falando do seu disco de estréia. Como ele foi feito? Você gravou por conta própria e depois ofereceu para as gravadoras? Fale um pouco de processo de composição e que tipo de sonoridade você buscou para o álbum.
A produção executiva foi feita por mim, o que foi ótimo porque me deu liberdade para trabalhar e tempo para decidir sobre todos os aspectos do disco, tanto do repertório quanto da escolha dos produtores. Eu compus todas as faixas do álbum, exceto a canção Canalha que é uma parceria com o musico belga Bert Van Helleputte. Uma das coisas que eu deixei muito clara com todos os produtores é a de que este disco deveria soar bem, queria um álbum que celebrasse o fato de eu estar vivo.
Como você definiria o seu estilo pra quem ainda não conhece a sua música. Você acha que algum público em específico pode curtir mais o seu trabalho?
Eu procuro não definir meu estilo musical. Componho canções que gostaria de ouvir no rádio. Sei que minha musica é pop e que nela entram elementos eletrônicos e há influências do R&B. Mas eu posso decidir fazer um disco com outras influencias no futuro. Se me chamarem de Pop, vou lidar bem com isso. Acho que todo mundo que está antenado em novidades vai curtir minha musica.
Fale do seu período no exterior. Você foi pra lá exclusivamente para fazer música?
Eu sou um cara do interior, mas sempre soube que andaria pelo mundo. Sabia que havia lugares mais interessantes do que aonde eu estava. As coisas simplesmente foram acontecendo. Sair da minha cidade natal já foi um grande passo, aliás a coisa mais difícil que fiz até hoje. Foi um momento de dor porque sou o único homem da casa, e me sentia muito responsável. Deixar minha mãe e minhas irmãs foi a coisa mais difícil que fiz. Na primeira vez eu fui a Bélgica pra fazer um trabalho com teatro e depois disso sempre pareceu mais possível ir outros paises e fazer contatos lá fora. Desta última vez fiquei cerca de 1 ano e meio apenas me dedicando a esse álbum. Passei por vários lugares e conversei com inúmeros produtores até escolher estes que trabalharam comigo.
Alguns produtores suecos trabalharam com você. Como rolou o contato com esse pessoa e aonde você acha que eles conseguiram fazer algo pela sua música que sozinho voc não conseguiria?
O Jakob Andreberg e o Petrus Wessman têm uma dupla chamada Pompadil e conheci o som deles pela internet. Eu apenas escrevi uma carta dizendo o quanto gostava do trabalho deles, se topariam ouvir minhas músicas e produzir umas faixas.
E foi como aconteceu: cantei cada faixa a capella numa reunião e eles iam fazendo anotações e discutindo. Eles sempre respeitaram todas sugestões dadas por mim, e não fizeram nada sem meu consentimento. Passávamos 10, 14 horas por dia no estúdio gravado e se enchendo de café (risos).
Você começou fazendo teatro. Você ainda atua ou pensa em atuar novamente? A experiência de ator aparece (ou ao menos ajuda em alguma coisa) na carreira musical?
Eu nunca imaginei que me tornaria cantor, isso é uma dessas coisas que o destino nos reserva. Eu já havia feito alguns musicais no teatro e sabia que podia cantar. Um dia mostrei minhas musicas a umas pessoas e quando vi já estava viajando e fazendo shows. Eu espero poder atuar num futuro próximo e estou falando com algumas pessoas sobre o assunto.
Com esses contatos no exterior existe a possibilidade de você tentar uma carreira por lá?
Antes mesmo de assinar com minha gravadora aqui no Brasil, recebi propostas para lançar este álbum em inglês no exterior. Acho a possibilidade maravilhosa. Mas é muito importante pra mim inspirar outras pessoas, meus fãs e meu país. Se voce é alguém que não nasceu em berço de ouro ou não está transando com algum famoso as coisas são mais difíceis, mas não impossíveis. Acho que quero mostrar isso para as pessoas. Se tanta gente acha meu trabalho inovador e cheio de energia, por que ele não pode ser bom o suficiente em nossa língua?
A sua música é radiofônica, mas também é mirada para as pistas. Você pretende chamar outros produtores e dj's para fazerem remixes de suas músicas?
Eu tenho todo o interesse em ter minhas musicas nas pistas, esse é um alvo certo, mas pra isso eu preciso contar com DJs de coragem. Muitos DJs querem tocar apenas músicas estrangeiras, talvez porque ainda não tenham tido a chance de conhecer um trabalho novo em português que seja bom o suficiente para as pistas. Durante todo o processo de criação do álbum, eu e meus produtores íamos em clubes na Suécia e na Dinamarca para testar o fôlego das canções, saber se elas estavam na direção certa. Quanto aos remixes, espero lançar junto com meu primeiro video um Maxi Single com remixes feitos por DJs das mais variadas vertentes. Já comecei a receber algumas coisas e posso assegurar que a pista vai tremer (risos).
Quais as suas maiores influências? Quem você anda ouvindo ultimamente? No Brasil algum artista te inspira?
Ultimamente eu ouço muito o Erlend Oye (musico norueguês), e espero que possamos trabalhar juntos num projeto futuro. A Malia (Cantora inglesa de jazz de origem africana) tem a voz mais bonita que já ouvi além do Sneaker Pimps.
Aqui no Brasil tem muita gente boa: Raul Seixas, Cazuza, as coisas antigas que o Lulu Santos fez... Este fim de semana eu estava com uns amigos dos Estados Unidos em meu apartamento e os fiz escutar o álbum "Cor de rosa e Carvão" da Marisa Monte durante todo o tempo (risos).
Você usa a net para fazer contatos e divulgar a sua música? E costuma procurar artistas novos pela rede?
Eu passo muito tempo conectado a internet, mas agora eu estou me preparando pra fazer shows então eu acabo mesmo fazendo coisas basicas como e-mails, troca de arquivos, sites pornô, (risos) essas coisas !!!





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