Entrevista: D'Black
O cantor D'Black é mais um exemplo de artista que usa a internet como veículo de promoção inicial. Sua música Sem Ar tornou-se hit em sites como youtube e myspace que acabaram por levá-lo a um contrato com uma grande gravadora.
Na verdade D'Black já vinha tentando achar o seu lugar há tempos: fez parte de uma boy-band, participou de reality shows e até em praça de alimentação topou cantar.
Agora as coisas finalmente estão acontecendo. A sua mistura de soul, funk e ginga tipicamente carioca está chegando ao resto do país ao mesmo tempo em que ele vai consolidando uma carreira de ator (ele foi protagonista do filme "Maré" além de ter participado de "Malhação" e de novelas como "Dance Dance Dance" e "Vidas Opostas".
Nessa entrevista exclusiva ele nos conta um pouco mais sobre a sua carreira e o que vem por aí.
Pra começar, você se considera um ator que também canta ou um cantor que também atua
Meu primeiro passo na arte foi a música que acabou me levando a conhecer a dança e a interpretação.
Fiz essa pergunta porque aqui no Brasil tirando um caso como o do Fábio jr. ou mais recentemente a Marjorie Estiano, no geral as coisas não se misturam muito. Aí, se em um momento você precisar ter de optar por uma, qual seria a sua escolha.
Pra conseguir chegar até aqui tive que enfrentar esse preconceito louco gerado através das experiências de outros artistas nacionais (porque isso não acontece lá fora). Te confesso que fiquei em conflito mas depois de um tempo vi que o artista em geral passa sentimentos e se esses sentimentos podem ser transmitidos de várias formas; atuando, cantando, compondo, dançando. Por que não ser completo e viver um dia de cada vez?
Fale um pouco da sua infância e adolescência. Aonde você foi criado? Quando descobriu que tinha talento? E de quem você era fã?
Eu nasci em Jacarepaguá e é onde moro até hoje. Comecei em um coral na escola aos 10 anos e não parei mais, canto o tempo todo. É como respirar, e minha inspiração era tudo que rolava no toca-fitas da minha casa, Stevie Wonder, Mariah Carey, Tony Braxton, Whitney Hoston.
Soube que você tem formação em canto e piano. Hoje em dia é raro encontrar artistas mais populares que busquem estudo de música mais formal. Por que você foi atrás disso?
Como qualquer profissão artística, um músico sofre muito preconceito, alguns acham que somos vagabundos e o que causa isso são os que trabalham com música e não tem a mínima idéia do que estão fazendo movidos apenas pela paixão. Me considero um cantor profissional porque busquei entender um pouco mais do que o óbvio e o piano foi uma forma de entender musicalmente o que estava fazendo.
Você teve que batalhar pra pagar essas aulas não? Foi nessa época que você chegou a cantar em praça de alimentação de shopping? como foi isso?
Paguei tudo com aulas de dança, música e qualquer outra coisa que pudesse ensinar... Parece que pra conseguir cantar e dar certo tive que fazer um caminho por outras estradas. A dança e a interpretação me geraram uma grana pra comprar alguns equipamentos que me ajudaram a gravar algumas canções.
O seu release diz que você fez parte de uma boy-band. Que grupo era esse? E o que ficou dessa experiência?
O nome do grupo era A4, cantavamos um Pop bem teen com composições próprias, aprendi a trabalhar em equipe e a fazer arranjos vocais.
Você também arriscou a sorte em alguns reality-shows. Você chegou a avançar em algum deles?
Sim minha primeira grande experiência foi no popstar do SBT e eu fui um dos 20 finalistas entre milhares de candidatos, fiquei com impressão que estava no caminho certo, depois tentei o Fama fui um dos 10 escolhidos do Rio de Janeiro. Só hoje entendo que o verdadeiro sucesso não sai de uma caixa de presente é resultado de tempo e trabalho.
Queria saber a história de "Sem ar" e de como ela virou hit mesmo sem o apoio de grandes gravadoras. Foi tudo via intenet? Como voc fez para espalhar a música?
Essa música é um grande presente, nada explica o sucesso absurdo que ela faz, é uma parceria com Felipe Zero que me mandou a maior parte da letra via Internet e logo em seguida fiz uma melodia ao piano. Foi tudo muito natural e mágico o jeito com que foi se espalhando por todo Brasil via blogs, flogs e os vídeos feit os pelos fãs no youtube.
Queria também que você falasse da importância da net do seu trabalho e de como a rede ajudou no seu trabalho. Pessoalmente você navega bastante? Curte conhecer novos sons pela rede?
A Internet é uma das principais vias para a divulgação de músicas hoje em dia. Ela se tornou importante no meu trabalho, assim como em qualquer trabalho independente, por que as pessoas tem a liberdade de escolher o tipo de som que querem ouvir. Como as músicas do meu trabalho caíram no gosto popular, a divulgação acabou sendo bem maior pela força das músicas em si.
Ultimamente não tenho tido muito tempo para navegar devido a grande quantidade de shows e entrevistas.
Curto sim... Gosto muito do youtube. Imagem e áudio numa combinação muito bacana
E o seu trabalho no Maré. Como foi fazer o filme? Fale também da ida ao Festival de Berlim. Você conheceu alguma estrela de Hollywood?
Foi muito bom, por que acabei por aprender uma nova profissão, a de ator.
Foi minha primeira estada na Europa, na verdade, fui ao Festival de Granada na Espanha, chamado Cines Del Sul, dedicado para os Filmes produzidos no Hemisfério Sul. Essa viagem me deu outra visão do Brasil e do mundo.
Na verdade não.
Vamos falar do seu disco agora. O que mudou na hora de gravar por uma major em relação ao seu disco demo?
Diferente do que muitas pessoas acham, a gravadora ao invés de delimitar meus espaços, fez com que eu pudesse expandir minha visão e toda a minha parte técnica, resultando num trabalho muito mais consistente e principalmente com o apoio de grandes músicos e profissionais da musica.
No seu disco a gente percebe influências de sonoridades recentes e outras mais antigas, tanto daqui quanto de lá. Pra fazer esse disco quais foram as suas inspirações? Tem algum artista que te chama mais a atenção?
Claro que eu tenho varias influencias, mas teria que fazer uma lista muito grande de todas elas. Pela diversidade rítmica, harmônica e autoral.
Um artista que muito me inspira, sempre, é o Stevie Wonder, por toda diversidade harmônica, rítmica, etc.
O cd tem algumas participações especiais também. Você já conhecia a Negra Li e o Jorge Aragão? Como rolaram essas parcerias?
A primeira vez que encontrei Jorge Aragão no shopping. Entreguei pra ele um dos meus cds demo e, 2 anos depois nos reencontramos num almoço, ele lembrou do disco e, a partir daí, surgiu uma grande amizade.
Sou fã da Negra Li. Eu liguei para ela, contei sobre o meu trabalho, minha historia e, depois de diversos contatos por email, consegui a participação dela no disco.
Pra encerrar mande uma mensagem pro pessoal que sempre busca as suas letras aqui no vaga-lume e diga o que os seus fãs podem esperar de você nos próximos meses.
Eu gostaria, principalmente, de agradecer aos fãs da minha música, por que todo o trabalho que eles tiveram, tanto passando a música a frente, quanto criando vídeos, fã clubes, dedicatórias, comunidades etc. acabaram permitindo que meu trabalho tocasse a vida de diversas outras pessoas e me fizesse chegar onde estou e espero que, eventualmente, possa chegar ainda mais longe.
Durante os próximos meses, farei diversos shows por todo o Brasil e espero que todos os fãs possam me acompanhar nessa estrada!





Pitty
Cine
Hevo84
Agnela
Maria Cecilia E Rodolfo
Stevens
Nx Zero
Jeito Moleque
ExaltaSamba
Catch Side
Chimarruts
Victor e Leo
Rosa de Saron
Pedra Letícia
Forfun
Jota Quest
D' Black
Velhas Virgens
CPM 22
Strike