Entrevista: CPM 22
Vaga-lume - 24 de Julho 2008
Há mais ou menos dois anos o Vaga-lume entrevistou o CPM 22 pela primeira vez. Naquele época o grupo se firmava como uma das bandas mais populares do país, atingindo um público jamais sonhado por qualquer banda de hardcore brasileira.
No momento o guitarrista Wally precisou dar um tempo (ele segue com a banda, ainda que não esteja fazendo shows) e o novo disco intitulado Cidade Cinza pode dar a impressão de que os dias não são dos mais felizes. Também é curioso notar que nos tempos de hoje as coisas andam tão rápidas que já se pode até falar em uma cena "pós-CPM22".
Fomos atrás do vocalista Badauí para saber sobre o novo álbum e também pra saber como foi tocar com a Cláudia Leitte, o que ele acha da nova geração de bandas brasileiras e se ele nota a influência do CPM 22 nelas.
Na primeira entrevista que vocês deram para o Vaga-lume, em 2006, a conversa foi bem descontraída, até as fotos que ilustram o texto eram coloridas e com a banda sorrindo. O que aconteceu para o CPM 22 entrar em uma fase cinza, como diz o nome do CD?
Não estamos em uma fase cinza, o fato de o Wally estar um tempo fora não quer dizer que estamos em crise, pelo contrário estamos fazendo muitos shows, o nosso público na maior parte dele acha o CIDADE CINZA o melhor disco da banda e o "clima da banda" incluindo o Wally está melhor do que nunca. Pode ter certeza que já passamos por fases muito mais cinzas.
O nome do último disco lançado tem alguma relação com os boatos que surgiram na época de sua gravação, e que davam conta de uma possível separação do grupo? Enfim, o que aconteceu durante este sexto registro de estúdio do CPM 22?
Não tem nada a ver, o nome CIDADE CINZA veio de uma música que está no disco e que fala sobre a cidade de São Paulo, que é cinza. E não aconteceu absolutamente nada, só o Wally pediu um tempo para se dedicar a outras coisas nesse período. Como falei antes, na época do FELICIDADE INSTANTÂNEA com a saída do Portoga foi uma fase muito mais difícil, mas agora estamos muito bem. É só entrar no nosso fotolog, my space e site oficial que poderão ter uma idéia melhor da fase da banda no momento. E por favor não acredite em boatos.
A banda manteve as raízes punk rock em "Cidade Cinza". Vocês não tem medo de agradar os fãs mais antigos e desagradar aqueles que esperam por mais novidades da banda?
Não temos medo disso, a nossa indentidade está desde o começo da banda ligada ao HC melódico e punk rock, acho que o nosso público está acostumado com essas pequenas variações de disco pra disco. Gostamos de fazer músicas rápidas e também com andamentos cadenciados e pesados. Vamos ver o que será do próximo disco.
De onde veio a influência para a faixa "Tempestade de Facas"?
Ah, acho que podemos ver influências diferentes nela, tem uma base meio punk véio, tem uma linha de voz mais seca e gritada com poucas melodias, o que remete ao HC de NY. Tudo dentro das influências que temos, das bandas que gostamos e do tipo de som que ouvimos.
A música "Maldita Herança", que traz um desabafo com a recente situação da classe política do país, foi pensada para coincidir com o ano de eleições que o país vive agora?
Não foi pensado não, mas é uma boa hora pra fazer um clipe dela, mesmo que ela não seja trabalhada. Mas na verdade fiz essa letra pensando desde um passado distante da vergonhosa política que tivemos até os tempos de mensalão.
O convite para a participação do Badauí no primeiro disco solo da cantora Cláudia Leitte, gravado ao-vivo na praia de Copabana, no Rio de Janeiro, partiu da primeira colaboração entre o CPM 22 e a banda dela, o Babado Novo, registrada no programa Estúdio Coca-Cola, da MTV?
Sim fizemos uma grande amizade ali.
O que o próprio Badauí e os demais integrantes da banda acharam dessa mistura inusitada?
Foi difícil mas ficou interessante, aprendemos a respeitar todos estilos de música, e apesar de não ter nada a ver com a gente, foi uma experiência boa no nosso trabalho.
Que outras participações inusitadas vocês já pensaram em fazer?
Já fizemos uma música com o grupo de rap SNJ.
E quais são os ídolos que sonham trazer para tocar algum dia com o CPM 22?
Face To Face, Agent Orange, Social Distortion...
Vocês já se cansaram de responder à pergunta sobre o CPM 22 ser considerado percussor de bandas como NX Zero e Fresno? Ou ainda não?
Acho que essas bandas não são influenciadas por nós diretamente no som. Talvez estejam somente fazendo o mesmo caminho, pra mim eles têm outra escola que tivemos, a nossa faixa de idade ja passou dos trinta risos... Mas também não tem sido feitas muitas perguntas sobre isso pra nós.





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