www.vagalume.com.br

America


Da Redação

Nos anos 70 o America era sinônimo de sucesso de público com seu pop melódico e suave e de fracasso de crítica, que adorava pegar no pé da banda.

Divulgação
America letras
Dewey Bunnell

Formado por filhos de militares americanos em serviço na Inglaterra, o America foi extremamente popular graças a sucessos que ainda hoje tocam nas rádios como Ventura Highway e A Horse With No Name.

Foi esse grande sucesso que permitiu que a dupla seguisse em frente mesmo depois dos momentos de pico. Em 2006 a sorte voltou a sorrir para a banda. Ela chegou através do fã Adam Schlesinger do Fountains of Wayne, que ficou feliz em saber que o pessoal do America também curtia a sua banda. Dessa amizade nasceu a idéia de um projeto em conjunto. John e James Iha (antigo guitarrista dos Smashing Pumpkins) assumiram a produção do novo disco e apresentaram à dupla algumas canções e artistas. O resultado foi o belo Here & Now que atualizou (mas não descaracterizou) o som do grupo e deu nova vida ao grupo.

Aproveitando a vinda do grupo ao Brasil para shows na próxima semana, falamos com o guitarrista Dewey Bunnel sobre o atual momento da banda e pedimos para ele relembrar alguns momentos do passado como os discos produzidos por George Martin ou o início de carreira quando eles abriam shows para gente como Elton John e The Who.

 Entrevista

Antes de falar sobre o passado vamos falar sobre o momento atual do America. Como vocês conheceram o Adam Schlesinger do Fountains of Wayne? Vocês eram fãs da banda?


Divulgação
America letras
Dewey Bunnell, Ryan Adams, Adam Schlesinger, James Iha e Gerry Beckley

Tanto o Gerry quanto eu apreciávamos o talento para compor melodias do Fountains of Wayne, o que levou o Gerry a entrar em contato com o Adam via internet e assim uma amizade se formou.Eu me encontrei com ele e com o James Iha (antigo guitarrista dos Smashing Pumpkins) em Nova York um pouco depois e discutimos a idéia de fazermos um projeto em conjunto. Logo depois o processo teve início.



Como o projeto evoluiu? Fale também dos outros convidados do disco como o James Iha, Ryan Adams e Ben Kweller. Como foi trabalhar com esse pessoal?


O Gerry e o Adam fizeram duas canções de princípio: Work To Do e Here and Now. Foi com esse material que o nosso empresário conseguiu um contrato com a Sony/Burgundy para gravar um álbum completo. O James Iha já estava envolvido como parceiro de produção do Adam e eles nos apresentaram aos outros artistas que acabaram envolvidos na gravação seja como músicos ou compositores. Eu terminei compondo uma canção com o Ryan (Glass King e tanto ele quanto o Ben Kweller se juntaram a nós quando fomos no programa do David Letterman e também em alguns shows. Eles são ótimos de se trabalhar, todos muito enérgicos e talentosos.



O disco conta com algumas covers de bandas mais novas como o My Morning Jacket e o Nada Surf. Vocês já conheciam essas canções? Tem alguma outra banda mais recente que poderia forncer material pro America tocar?


Eu não conhecia nenhum deles. Achei ótimo tomar ciência desses talentos e nos desafiar com canções diferentes do nosso estilo tradicional de compor. Existem muitas outras bandas com grandes canções por aí. Eu particularmente gosto muito do Wilco.



E essa parceria? Será que ela continua?


Nós continuamos amigos, então sempre existe a possibilidade de fazer algo novamente.



Nos shows mais recentes na Europa e EUA vocês notaram se fãs mais jovens começaram a aparecer?


America letras
Dewey Bunnell e Gerry Beckley

A gente sempre foi sortudo o bastante para sempre levarmos pessoas das mais variadas faixas etárias aos nossos shows. O novo CD certamente gerou um novo interesse tanto entre os jovens quanto entre o público mais velho.



Vamos lembrar de algumas histórias do passado. Vocês passaram a infância e a adolescência na Inglaterra. Como era estar ali naquele momento com os Beatles lançando Sgt Peppers, o Who explodindo, além do Pink Floyd, Hendrix... Você viu shows de alguns desses?


Infelizmente eu não consegui conferir os Beatles ao vivo, mas poder ter visto o Jimi Hendrix, Rolling Stones o Led Zeppelin e tantos outros foi demais. Nós dividimos o palco com muitas bandas sensacionais quando estávamos começando. Gente como The Who, Pink Floyd, The Faces, Elton John, Cat Stevens, Traffic..



Antes do America, você já tinham tocado com alguma outra banda?


Sim, nós tínhamos uma banda na época de colegial chamada The Daze. Agente tocava as músicas que estavam na parada em clubes para adolescentes e bailinhos.



Quais eram as suas bandas e artistas americanos favoritos e quando foi que a música americana passou a ser uma influência mais forte do que a inglesa para você?


Eu fui bastante influenciado pela surf music dos Ventures, e do Dick Dale quando era jovem. As harmonias vocais dos Everly Brothers e dos Beach Boys também me marcaram muito. Mais tarde eu também fiquei muiot fã dos Byrds e do Buffalo Springfield.



O primeiro grande show de vocês foi abrindo para o Elton John e o Who. Que lembranças você tem desse dia?


Divulgação
America letras
Gerry Beckley

Nós tocamos muito no Roundhouse em Londres, que naquela época era um ótimo lugar para shows e eventos culturais. Os shows eram sempre grandes eventos multi-mídia, com várias bandas, shows de luz e tudo o mais. Dividir o palco com o Elton John, Pink Floyd e The Who foi uma ótima maneira de começar a nossa carreira. A gente ficava ali pra participar e também para ouvir o material novo de todos eles.



Como foi chegar ao número 1 tão cedo com a Horse With no name. Essa é uma daquelas músicas que não param de tocar. Quando a música ficou pronta vocês sentiram que ela tinha potencial para ser um hit desse tamanho?


Essa música tem uma coisa bizarra. A gente partiu para a nossa primeira turnê pelos Estados unidos no exato momento em que ela estava no topo das paradas inglesas e assim que voltamos para Londres ela estava em primeiro lugar nos Estados Unidos. E eu nãoa cho que ninguém poderia prever o sucesso dessa canção ou de qualquer outra, diga-se de passagem.



Vocês tiveram vários discos produzidos pelo George Martin (o produtor dos Beatles). Como ele era no estúdio?


Sir George é ainda um grande amigo nosso e tenho ótimas lembranças dos tempos em que trabalhamos juntos. Ele é dono de um talento único e uma pessoa muita fácil de se trabalhar, sempre nos encorajando e sendo bastante criativo com as nossas canções.



Como era lidar com as críticas nos anos 70, já que vocês eram um dos alvos favoritos dos críticos daquela época.


Divulgação
America letras
America nos anos 70

Eu nunca me preocupei muito com os críticos. Eu sentia que nós éramos um produto da nossa própria geração e que tentávamos refletir aquele tempo nas nossas músicas. Os críticos têm a sua própria perspectiva sobre o nosso lugar na história da música, mas eu me sinto muito orgulhoso de nossa contribuição. E nós ainda fazemos bastante sucesso com os nossos shows em todos os cantos do mundo. São essas as resenhas que realmente importam para mim.



Vocês excursionaram com os Beach Boys, o Carl Wilson gravou backing vocals com vocês e o Gerry gravou um disco com ele. Queria saber um pouco mais dessas parcerias e da relação de vocês com o Carl Wilson e os outros da banda.


Em todos esses anos, não teve nenhuma banda com a qual tenhamos trabalhado mais do que com os Beach Boys. Eu os considero verdadeiros mentores e ficamos muito próximos deles e de suas famílias, dividindo também as tristezas. As perdas de Carl e Dennis Wilson# forma muito trágicas. Ao mesmo tempo poder ver o Brian Wilson, que também conhecemos muito bem, voltando aos palcos e gravando novas músicas foi uma grande alegria.



O que podemos esperar dos shows no Brasil?


O nosso show muda a cada ano para incluir coisas do disco mais recente ou o rearranjo de músicas mais antigas. Agora nós estamos tocando os maiores sucessos mas também várias coisas do “Here and Now” além de músicas compostas para filmes e talvez uma ou duas surpresas.



Pra encerrar, o que anda rolando no seu I-pod ou CD Player agora?


Bom, eu não ando tão antenado com o que anda rolando atualmente quanto deveria, mas ando ouvindo muito a Katy Perry! Eu ainda ouço muita coisa mais antiga e recomendo o Wilco a todos que porventura ainda não os conheçam.



Serviço

America no Brasil

28/08/2008 - Vivo Rio - Rio de Janeiro preços de R$80,00 a R$200,00

29/08/2008 - Chevrolet Hall - Belo Horizonte - preços R$100,00 e R$140,00

30/08/2008 - HSBC Tom Brasil - São Paulo preços de R$140,00 a R$200,00