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As 100 Músicas do Século

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Madonna

- Madonna: Like A Virgin
Com seu primeiro disco Madonna havia conseguido um certo sucesso e criado um bom número de pérolas pop (Borderline, Lucky Star, Holiday...). Com Like a Virgin ela deixou de ser uma artista de sucesso para virar não só a cantora mais bem sucedida da história, mas também um ícone, a mulher com quem os garotos sonhavam e que as meninas queriam ser. Grande parte do mérito de Like a Virgin se deve ao produtor Nile Rodgers (do Chic) que soube torná-la uma canção pronta para estourar e que terminou por se mostrar clássica e atemporal (como parte grande da produção da cantora nos anos que se seguiram). E pensar que em 85/86 um monte de gente dizia que a música feita pela cantora era descartável e que não duraria nem mais um ano...
 

The Smiths

- The Smiths: How Soon Is Now?
A chegada da banda de Morrissey e Johnny Marr na cena pop é um caso de timing perfeito. Em 83, as sonoridades pós punk já davam mostra de cansaço. Sobrava o pop das paradas, encabeçado pelos new romantics Duran Duran e Culture Club que eram, simpáticos, mesmo geniais em certos momentos, mas sem muita utilidade se você buscava emoções menos rasteiras. Dava então para assumir o modelito preto e virar gótico niilista-existencialista (os anos 80 adoravam rótulos, especialmente esses que ninguém conseguia explicar direito) fã de Siouxsie, Bauhaus, Cure e Sisters of Mercy. Os Smiths chegaram então para falar com todos que se sentiam excluídos da “grande festa da música oitentista”. Estava ali um grupo que soava diferente de quase tudo que viera antes, e, mais notável, sem apelar para experimentações e radicalismos. O som dos Smiths se fundamentou em duas bases: as melodias de Johnny Marr e as letras de Morrissey e seus contos de desilusão, desamor e inadequação aos tempos modernos. Os Smiths gravaram várias obras-primas, mas nenhuma tão perene quanto How Soon is Now. Afinal quem nunca foi em uma festa com grandes expectativas e voltou pra casa sozinho e amaldiçoando o mundo que atire a primeira pedra.
 

Run DMC

- Run DMC: Walk This Way
Foi esse o disco que abriu de vez as portas do mainstream para o rap. Walk this Way era um antigo hit do Aerosmith, banda que teve seus momentos de glória nos anos 70, mas andava em baixa, muito por conta do apetite destrutivo de seus membros. O Run DMC tinha o costume de criar raps em cima da base de Walk this Way, mas sem levar aquilo muito a sério. O produtor Rick Rubin (que com o tempo se tornou um dos maiores nomes dentro da indústria musical) pirou com aquilo e forçou a banda a gravar imediatamente a música. Walk this Way ajudou o disco Raising Hell a vender mais de 2.5 milhões de cópias, deu origem a um dos vídeos mais bem feitos que se tem notícia, botou a banda na capa da Rolling Stone (os primeiros artistas de rap a conseguirem o feito) e mostrou que o rap tinha chegado para ficar.
 

Guns n' Roses

- Guns N' Roses: Welcome To The Jungle
Os anos 80 precisavam de uma banda suja e malvada para estourar a banca, afinal o glam metal (ou hair metal ou, em bom português, metal farofa) estava cansando. Ao mesmo tempo o grande público ainda não estava preparado para as as variantes mais brutas e radicais do metal (Slayer e Metallica a frente). Foi nesse contexto que surgiu o Guns'n'Roses, cinco caras com gosto não só pelo som, como pela vida desregrada de seus maiores ídolos (Led Zeppelin, Aerosmith, AC/DC e os Stones dos anos 70). Some a isso um visual certo para agradar á geração MTV e realmente não tinha como dar errado. Mas também não se imaginava que pudesse dar tão certo assim, já que o disco de estréia se tornou um dos dez mais vendidos na história americana. Nenhuma música simboliza melhor o Guns que Welcome to the Jungle, com o grande riff de Slash, a letra direta e a sua introdução. É por causa dela que a gente sempre vai perdoar os excessos de megalomania de Axl, os 15 anos sem material novo, as cadeiradas nos repórteres, as bordoadas nos fãs...
 

My Bloody Valentine

- My Bloody Valentine: Feed Me With Your Kiss
Para parcela da crítica, o último sopro de criatividade dentro do rock foi dado por esse quarteto. O MBV demorou até achar a sua cara definitiva, mas quando ela foi encontrada as marcas deixadas foram profundas. O som da banda era barulhento, e não se fala aqui de velocidade e peso, mas de barulho no sentido literal do termo, uma música recheada de ruídos, microfonias e distorções, numa espécie de evolução do som criado pelo Jesus and Mary Chain em 1985. Feed me with your Kiss saiu em 1988 e mostrou que novo MBV iria fazer a diferença. Nos anos seguintes a banda deu origem a um grande número de imitadores e até a um sub-gênero (o shoegazing). Infelizmente o gosto pelo barulho cobrou seu preço. Nos anos seguintes o líder Kevin Shields se dedicou a duas coisas: a torrar uma fortuna da gravadora na gravação do disco Loveless e a fazer “pesquisas” sonoras para descobrir novos timbres de microfonias e distorções para guitarra. O disco saiu em 1991, e realmente soava diferente de quase tudo que se ouvira até então, mas Shields acabou com problemas graves de audição e a banda, com surpreendente silêncio e discrição, se despediu. Shields voltou a dar as caras nos últimos anos: primeiro tocando no Primal Scream (inclusive nos shows brasileiros da banda) e fazendo algumas canções para a trilha do filme Encontros e Desencontros de Sofia Copolla.
 

Public Enemy

- Public Enemy: Fight The Power
Houve um tempo em que o rap não falava só de vadias, bandidos, traficantes e a necessidade de se ficar rico (e exibir essa riqueza). Foi a chamada era de ouro do hip hop, onde as bandas podiam ser desencanadas (como o De la Soul) ou politizadas. Nessa última vertente ninguém foi mais fundo que o Public Enemy, a banda mais radical surgida nos anos 80. Seu líder Chuck D costumava dizer que o rap era a CNN dos negros e soltava seus discursos polêmicos e raivosos debaixo de uma saraivada de ruídos criados pelo DJ Terminator X. O PE é considerado até hoje o melhor grupo de rap e hip-hop já surgido, graças aos seus três primeiros discos e às misturas e colaborações com o pessoal do rock (como Bring the Noise com os metaleiros do Anthrax). Fight the Power mostra o porquê de toda essa importância. Uma música que marcou época principalmente após ter sido usada por Spike Lee na abertura do também marcante “Faça a Coisa Certa”.
 

The Stone Roses

- The Stone Roses: She Bangs The Drums
Aqui cabe o mesmo raciocínio usado com o Police. Fools Gold costuma ser lembrada pela imprensa e público inglês como o grande momento dos Stone Roses. Pode ser, afinal a música que cruzava funk com vocal sussurrado simbolizou a primeira era das raves e fez muita gente cair na dança. Mas o grande trunfo dos Stone Roses foram trazer de volta um senso de grandeza ao rock inglês. A fórmula não era novidade: um pouquinho de Beatles, outro tanto de rock psicodélico dos anos 60 somados ao lado mais melódico do punk. Tudo coberto com a arrogância típica de Manchester. O resultado dessa receita pode ser conferida em She Bangs the drums. Por alguns meses os Roses foram a melhor banda do mundo e em breve iriam ser: “O novo U2”. O primeiro disco da banda fica melhor a cada ano e já é tratado de igual para igual com álbuns dos Beatles e Stones. Infelizmente logo depois o grupo entrou em litígio com a sua gravadora e demorou quatro anos para lançar um sucessor. Aí já era tarde demais e eles terminaram logo depois só para ver uma banda, também de Manchester, surgir e levar a cabo o processo começado por eles. O nome dessa banda? Oasis.
 

Pixies

- Pixies: Debaser
Os Pixies estão entre as três ou quatro melhores bandas surgidas no underground americano nos anos 80. A mistura de grunhidos, letras nonsense, punk e pop criada por Black Francis e seus companheiros foi o sopro de vida que o rock precisava naquele momento. O impacto maior dos Pixies se deu na Inglaterra onde eram queridinhos da crítica e do público. Mas não se pode subestimar as conquistas do grupo dentro de seu próprio território. Basta lembrar que Kurt Cobain ao compor Smells Like Teen Spirit estava simplesmente copiando os Pixies, como ele mesmo declarou. Debaser é a faixa de abertura do segundo disco do grupo (terceiro se você considerar o mini-lp C'mon Pilgrim) e tem tudo o que os Pixies fizeram de melhor: a mistura de pop com barulho e a letra perversa citando “O Cão Andaluz”, clássico filme surrealista de Luiz Buñuel. Com o fim da banda em 1992 Black Francis se tornou Frank Black e lançou vários discos solo. A baixista Kim Deal transformou sua banda paralela, The Breeders, em seu principal ganha pão e emplacou um dos grandes hits do rock alternativo dos anos 90: Cannonball. Em 2004 eles colocaram as desavenças de lado e voltaram a tocar juntos, mas o prometido disco novo ainda não pintou.
 

U2

- U2: One
Desde 1987 e o estouro de Joshua Tree, o U2 é a maior banda do planeta. Tendências vêm e vão, a crítica reclama se a banda muda de som e também xinga se eles não mudam, o público ameaça trocar de ídolo, mas no fim todo mundo ainda presta atenção aos novos discos da banda, que, verdade seja dita, ainda não se deitou sobre seus louros. Sempre foi curioso ver como não só o U2, mas os seus companheiros de geração em geral, apesar de terem criado um cancioneiro vasto e de qualidade, raramente criaram os chamados standarts, aquelas canções que ganham diversas regravações e que nos dão a impressão que sempre estiveram por aí. One foi a música que mostrou que a geração dos anos 80 também tinha fôlego para criar canções tão duradouras quanto os maiores clássicos do rock das décadas passadas. Nascida em um período complicado para o grupo, que sentiu que precisaria se renovar se quisesse continuar em evidência nos anos 90, One foi a música que mostrou que o grupo estava na direção certa e os impulsionou a terminar o disco Achtung Baby. One se tornou não apenas o ponto central de todos os shows do U2 como se mostrou uma canção versátil o bastante para ser interpretada tanto por Johnny Cash (que a gravou de forma tocante) quanto por Mary J. Blige que levou a canção novamente às paradas em 2005.
 

Nirvana

- Nirvana: Smells Like Teen Spirit
É uma pena que o suicídio de Kurt Cobain tenha, para o bem e para o mal, colocado toda a obra do Nirvana em outra perspectiva. Assim, a música do grupo é vista com um certo desprezo por gente que acha inconcebível que “o som do cara que se deu um tiro na cabeça” seja ouvido com a mesma reverência dos grandes clássicos. Por outro lado, essa mesma reverência torna difícil que se escute o Nirvana pelo que eles foram de melhor: uma grande banda de pop barulhento. Quem está na casa dos 25/30 anos ainda deve se lembrar de como foi ouvir Smells Like Teen Spirit, pela primeira vez, da excitação trazida por aquela música aparentemente banal, da sensação de que os anos 90 estavam começando. Essa é a sensação que deve ser buscada não só quando algum hit da banda tocar, mas principalmente ao se descobrir uma banda nova. A grande lição deixada por Kurt Cobain foi exatamente essa: a de que o rock sempre consegue se reinventar especialmente quando ele parece estar morto.
 

Massive Attack

- Massive Attack: Unfinished Sympathy
A cidade inglesa de Bristol deu a luz ao trip-hop. Um novo gênero que juntava batidas de hip hop, dub jamaicano, rap, soul e rock psicodélico. Os dois maiores expoentes foram o Massive Attack e o Portishead (que poderia estar nessa lista com alguma música do disco Dummy como Glory Box). O Massive está aqui não só porque Unfinished Symphony foi a pioneira do estilo, além de ser uma das melhores baladas soul dos últimos tempos, mas porque dava para ver que ali estava uma banda que iria sempre nos surpreender.
 

Metallica

- Metallica: Enter Sandman
Desde 1983 o Metallica era a grande esperança do metal americano. Construindo sua reputação aos poucos, era inevitável que o mega-sucesso finalmente chegasse. E ele chegou em 1991 com o chamado Black Album e seu primeiro single: Enter Sandman. Com seu riff simples e poderoso, gravado á perfeição por Bob Rock, a música é um dos grandes momentos do rock dos anos 90. Com o “álbum preto” o Metallica mostrou que era possível tornar o thrash metal palatável para as massas sem que isso significasse descaracterização (ainda que os fãs mais radicais jamais tenham aprovado essa “virada de casaca”). Uma lição que continua sendo aplicada por várias bandas (como o System of a Down por exemplo).
 

Pearl Jam

- Pearl Jam: Jeremy
Que o Nirvana foi a banda mais importante dos anos 90 praticamente não se discute, mas o Pearl jam foi a mais influente, principalmente pelo fato de que, ao contrário da banda de Cobain, eles sempre acreditaram mais na mitologia e em um passado glorioso do rock. Verdade seja dita, gostamos de ver os músicos como heróis e não como caras comuns, e ainda que o Eddie Vedder se esforce para parecer um cara qualquer, não é assim que seu público o vê. O Pearl Jam sempre teve uma queda pelo som praticado nos anos 70 por gente como o Led Zeppelin, Neil Young e o Who além da influência do punk e do rock alternativo dos anos 80. Essa mistura agradou não só á molecada mas também aos fãs mais tradicionais de rock que transformaram a banda numa das mais influentes dos últimos anos (basta ver a quantidade de clones de Eddie Vedder que já surgiram desde então), o pontapé inicial dessa trajetória foi Jeremy que apresentou ao público da MTV aquele cantor “que fazia umas caras estranhas enquanto o menino se matava na frente dos colegas” ao som de uma música nervosa e dramática e que, ainda hoje, é o momento mais aguardado nos shows da banda.
 

Oasis

- Oasis: Live Forever
Os detratores do Oasis costumam dizer que a banda não tem valor por três motivos básicos: A - porque sempre fazem a mesma coisa. Argumento razoável, mas de Jorge Benjor aos Ramones dá pra fazer uma lista só com gente “que sempre faz a mesma coisa. B – Que eles acabaram com qualquer chance de evolução no rock jogando a Inglaterra (que sempre se responsabilizou por lançar tendências) em uma onda retrógrada e auto-celebratória. Mais uma vez, ser retrô não é necessariamente algo ruim, e é impossível ir para frente sem conhecer o passado. O lado celebratório tinha razão de ser também, afinal o auge da banda marca o fim do reinado conservador e a chegada de Tony Blair ao poder. E finalmente os ingleses tinham bandas boas o bastante para colocar o país de volta ao mapa do pop depois de amargarem anos de obscuridade por conta do grunge, do REM, do Metallica e por aí afora. C - os irmãos Gallagher são um saco. Ok, aí já fica mais difícil a defesa, mas a gente leva para casa o disco e não as pessoas que o fizeram. O grande lance do Oasis foi ter trazido de volta o prazer de se ouvir a música pop de três minutos.. Entre os vários compactos do grupo, Live Forever sempre terá um destaque especial, mais até do que Wonderwall, porque é nela que está tudo de bom que o Oasis sabe fazer: canções com melodias fortes, instrumental enxuto e uma das melhores interpretações de Liam Gallagher (que no futuro iria exagerar nos maneirismos dando mais lenha para quem detesta a banda). A letra também merece destaque, afinal depois de anos de escritores melancólicos, suicidas ou desesperados encontrar alguém otimista o bastante a ponto de querer “viver para sempre” era um alívio e tanto.
 

Pulp

- Pulp: Common People
Um dos grandes pesares dos anos 90 foi o Pulp não ter repetido no resto do planeta o sucesso que tinha na Inglaterra. Se o senso de humor acurado e talento de contador de histórias de Jarvis Cocker tivessem sido mais ouvidos talvez o rock de hoje estivesse em um outro patamar bem mais adiantado e divertido. Apesar de ter estourado em 1996, no auge do britpop, o Pulp estava na estrada há vários anos (16 para ser exato) mas sempre á margem. Tudo mudou com Common People, uma música que misturava tecnopop dos anos 80 com vocais falados como os de Lou Reed nos versos e dramáticos como os de David Bowie no refrão. Isso tudo para contar a ótima história da garota rica que queria viver como uma pessoa comum e pedia dicas para o vocalista. Com essa música o Pulp ficou grande: os shows aconteciam em enormes arenas e o disco Different Class vendeu que nem água. A banda lançou mais dois discos e depois saiu de cena. Evitaram a decadência mas deixaram um vazio enorme.
 

Underworld

- Underworld: Born Slippy
Houve um período nos anos 90 onde a graça era falar que o rock estava morto e que no tecno e na música eletrônica é que estava o futuro. Por um tempo foi engraçado ver roqueiros de coração se arriscando em raves e tentando entender aquela nova música. Assim vai ser difícil deixar de associar a segunda metade dos anos 90 aos breakbeats dos Chemical Brothers, ao drum'n'bass de Roni Size e ao tecno punk do Prodigy. Mas se tem uma música que ainda hoje sempre causa comoção quando toca é Born Slippy do Underworld. A música havia sido lançada sem muito estardalhaço em 1995. Um ano depois ela foi incluída na trilha do filme Trainspotting, um dos grandes marcos da geração 90, e estourou, fazendo até hoje o pessoal berrar “lager,lager,lager” quando a música toca seja na pista ou no palco.
 

Radiohead

- Radiohead: Paranoid Android
No mundo do rock a lei da física que diz que para cada ação existe uma reação é sempre válida. Em 1997 o britpop começava a dar sinais de cansaço e era chegada a hora de uma nova guinada. O Radiohead tem uma história curiosa: a princípio foram vistos com desconfiança em seu país porque fizeram primeiro sucesso nos EUA com a música Creep. Para muitos aquele seria mais um caso de “one hit wonders” (artistas que fazem um grande sucesso e somem). O segundo disco já foi mais bem recebido, mas demorou um pouquinho para a crítica se ligar que The Bends estava ganhando um enorme número de fãs e influenciando o surgimento de outras bandas (o movimento chegou a ser batizado de “New Grave” mas o termo não pegou). Por conta disso, a expectativa para o terceiro disco era grande e Paranoid Android, o primeiro single/aperitivo, mostrou que algo de muito sério estava para acontecer. No lugar do som que cruzava Smiths com Nirvana e Pixies do começo o que se ouviu foi uma música com mais de 5 minutos e cheia de pequenas partes. Houve quem achasse que era a volta do rock progressivo, outros falaram em “Bohemian Rhapsody” para o novo milênio. Mas isso não importava, importava mesmo é ver que com Paranoid Android (e o disco Ok Computer) o Radiohead voltava a levantar a bandeira do rock experimental e futurista, para alívio de muitos. Essa veia da banda foi sendo aprofundada nos anos seguintes, a ponto de ninguém mais saber dizer se o que a banda de Thom Yorke faz é mesmo rock.
 

Flaming Lips

- The Flaming Lips: Do You Realize?
O caso dos Flaming Lips é engraçado. Eles estão na estrada desde os anos 80 e no início dos 90 emplacaram o semi-hit “She Don't use Jelly”. Na segunda metade da década eles estavam se tornando aquele tipo de banda que causa apenas indiferença – a pior coisa eu pode acontecer a um grupo. Finalmente o grupo deu sua grande cartada com “The Soft Bulletin”. Um disco repleto de camadas, trucagens de estúdio e grandes melodias. O segundo e maior passo foi dado no disco seguinte: Yoshimi Battles the Pink Robots. Esse era um trabalho conceitual contando a história de... Yoshimi e sua batalha com os robôs cor de rosa. O grande momento foi a balada Do you Realize, tão bela quanto triste ao lembrar que todo mundo que a gente conhece um dia vai morrer. O engraçado é que toda essa melancolia era (e é) acompanhada de um show pra lá de bizarro onde entram fãs e famosos vestidos de bichinho (sobrou até pro Justin Timberlake), sangue falso, e o vocalista Wayne Coyne andando sobre uma bolha plástica pela platéia. O som “viajante” dos Flaming Lips, junto com o da banda irmã Mercury Rev, acabou se tornando um dos padrões dentro do rock independente desse novo século, servindo de contraponto ao rock básico de Strokes, White Stripes e Kings of Leon.
 

White Stripes

- White Stripes: Seven Nation Army
No rock o riff deveria ser a moeda mais valorizada. Dá pra contar a história do gênero através deles e não tem banda que não se orgulhe quando cria um riff poderoso (veja a animação de Bono quando fala de Vertigo). Seven nation Army tem um dos melhores riffs já criados na história e ponto. Pode-se achar Jack White chato e se reclamar que a baterista Meg White não sabe nem sentar no banco e quanto mais tocar bateria, mas não é qualquer um que consegue criar um riff tão simples e pegajoso. Seven Nation Army além de ter se tornado o maior hit dos Stripes (ao lado dos Strokes a banda mais celebrada pela imprensa nesse início de século) virou hino de arquibancada (os italianos adotaram o “tam tamtam tamtamtam tam” e fizeram os Rolling Stones tocar a música um dia depois da final da Copa quando os jogadores da seleção campeã deram as caras no palco), grito de guerra da “massa funkeira” e, o mais importante, ela é daquelas músicas fáceis e empolgantes para se tocar, ou seja, muita banda vai dizer que a primeira música que tocaram foi Seven Nation Army.
 

Outkast

- OutKast: Hey Ya!
Existem canções que sabe-se lá como entram no inconsciente coletivo. Hey Ya é assim, uma música que uniu por um momento fãs de pop, rock, rap e toda a crítica. O Outkast há tempos já vinha gravando discos e cativando público e jornalistas com sua mistura de rap, soul, funk e pop, que soava como um bálsamo no meio de tanto rapper misógino e metido a bandido. A dupla atingiu o auge com o cd duplo Speakerboxxx/The Love Below (na verdade dois discos solo, cada um feito por uma de suas metades – Big Boi e Andre Benjamin) e criou uma música que para sempre vai nos remeter aos primeiros anos do século XXI.

 
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