As 100 Músicas do Século
Ramones
Mais uma dúvida: se, como se diz, os Ramones só gravaram trezentas variações de uma única música em toda a sua carreira, bastaria então escolhermos uma canção qualquer do grupo aleatoriamente e tudo estaria resolvido. É claro que não é bem assim. Mesmo trabalhando dentro de uma área bem delimitada - um rock veloz, curto e grosso e quase sem solos - a banda de Nova York tem um punhado de bons discos e um número ainda maior de músicas memoráveis em seu currículo. Blitzkrieg Bop por ter sido a primeira a ser lançada tem importância monolítica e I Wanna Be Sedated foi o grande hit que a banda não teve e merecia (apesar de serem nomes comuns por aqui é bom lembrar que os Ramones nunca venderam bem nos EUA). Então vamos sair pela tangente e escolher Sheena Is A Punk Rocker que além de ser muito querida não só pelos fãs da banda, foi uma das raras faixas do grupo a chegar no top 100 e sintetiza o estilo do grupo - basicamente uma adaptação para os sombrios anos 70 do som alegre e inocente do início dos 60. É sempre bom lembrar que sem os Ramones muitas bandas e gêneros que surgiram depois não existiriam ou seriam bem diferentes (punk inglês, hardcore dos anos 80, grunge, o neo-punk dos anos 90 e muito mais).
David Bowie
David Bowie, ao lado de Brian Eno, seu parceiro na chamada “trilogia de Berlim” (os discos Low, Heroes e Lodger) foi um dos primeiros a sacar a importância do que as bandas alemãs, em particular o Kraftwerk, estavam fazendo. O disco Heroes era repleto de faixas instrumentais que não escondiam em nada o fascínio que ele tinha pela banda. Já a faixa título não tinha quase nada de sutil. Essa trazia um arranjo primoroso, uma letra do tipo que sempre vai fazer sentido para um monte de gente em inúmeras situações ("Nós poderemos ser heróis nem que seja por um dia") e a melhor interpretação de toda a sua carreira. Vira e mexe a canção é regravada (o Blondie soltou uma versão ao vivo com a participação do próprio Bowie ainda em 78, Oasis e Wallflowers lançaram as suas covers nos anos 90) mas a verdade é que é difícil chegar perto do impacto do original.
Bee Gees
Uma das mais peculiares histórias do pop, os irmãos Bee Gees começaram nos anos 60 gravando baladas de sucesso e discos ambiciosos como Odessa e Trafalgar. Em 1975, em baixa, a banda foi gravar com Arif Mardin, veterano produtor da Atlantic, que sugeriu uma guinada para o disco/funk com muito falsete nas vozes. O conselho deu certo e os hits voltaram, mas nada perto do que viria a seguir. Robert Stigwood, dono da RSO, a gravadora do grupo, pediu para eles umas quatro ou cinco músicas para um filme "com o John Travolta" que ele estava produzindo. A história a partir daí é conhecida: o tal filme era "Os Embalos de Sábado à Noite" que espalhou a discoteca pelo planeta e transformou John Travolta e os Bee Gees em ícones da época. A trilha sonora vendeu mais de 30 milhões de cópias graças não só a Stayin' Alive, (a música de abertura) mas também a How Deep Is Your Love e pela presença de hits de outros artistas como Disco Inferno dos Trammps.
Elvis Costello
Elvis Costello talvez seja o melhor compositor a ter surgido no mundo do rock desde 1977. Ele é eclético e versátil o bastante para se aventurar em diversos gêneros com sucesso e conta com uma inteligência nata para escrever desde canções de amor (e desamor) até músicas raivosas ou irônicas. Em mais de trinta anos de carreira, o cantor lançou vários discos e poucas vezes decepcionou seu público mais do que fiel. A balada Alison foi o ponto de partida dessa trajetória vitoriosa e se tornou uma de suas marcas registradas (junto com os óculos e (What's so Funny 'bout) Peace, Love and Understanding, a canção do produtor e artista solo, Nick Lowe que ele tomou para si.
Kraftwerk
Os Beatles da eletrônica, ou se duvidar ainda mais, já que nem todo rock tem influência dos Beatles, mas todo o pop eletrônico deve algo aos alemães do Kraftwerk. Assim como no caso dos grupos progressivos, o som deles não funciona tão bem se ouvido em doses homeopáticas, o legal mesmo é pegar alguns álbuns clássicos do grupo e embarcar na viagem. Se a ideia aqui fosse escolher a faixa mais influente da banda, a escolhida deveria ser Trans-Europe Express, que serviu de base para Planet Rock de Afrika Bambataa, a música que deu início à revolução hip-hop. Entre os hits, The Model, Numbers e a versão editada de Autobahn também são candidatas. Mas The Robots é mesmo a canção símbolo desses homens-máquinas que, como poucos, realmente estavam muito à frente de seu tempo. A versão original presente em the Man machine de 1978 é a mais indicada, mas a revisão presente no álbum The Mix de 1991 também é ótima.
Blondie
De toda a leva de bandas e artistas que movimentou a Nova York dos anos 70 (Patti Smith, New York Dolls, Ramones, Televison, Suicide...) o Blondie foi o mais bem sucedido. Primeiro porque eles faziam um som mais acessível às massas e ainda tinham Debbie Harry, com sua beleza e carisma incomparáveis. O grupo atingiu seu auge artístico e comercial com o álbum Parallel Lines e mais ainda com o compacto Heart Of Glass, que desde 1978 anima as pistas, com sua batida disco (para horror dos punks radicais) e a voz em falsete de Harry. A música é o exemplo claro do quanto um produtor pode transformar uma canção. Heart Of Glass a princípio era um reggae sem maiores atrativos que foi moldada pelo produtor Mike Chapman até atingir a forma que a tornou conhecida.
The Clash
Se os Sex Pistols eram porra-loucas, o Clash respondia pelo lado articulado do punk (e os Buzzcocks pelo romantismo). Desde cedo eles souberam escapar da camisa de força dos três acordes e abrir seus horizontes para o reggae, rockabilly, dub e para o rock clássico. Às vezes podia soar contraditório ver a mesma banda que cantava "Chega de Elvis, Beatles ou Rolling Stones em 1977" ou "a falsa beatlemania comeu poeira" demonstrando tamanho apreço pelo passado, mas como a música fluía bem e soava urgente e moderna, só mesmo quem era xiita reclamava. London Calling a faixa, abria London Calling o disco, com sua introdução marcial e os vocais de Joe Strummer e Mick Jones em conjunto, entrando com a força de generais liderando suas tropas. A influência do quarteto foi enorme nos anos que vieram. Sempre que você vir uma banda empunhando guitarras e gritando palavras de ordem, saiba que eles devem um bocado de coisas a esses ingleses aqui.
Chic
Um gênero sempre tratado com certo desprezo é a disco ou discoteca. É certo que muita bobagem foi gravada aproveitando a onda dos "“embalos de sábado a noite", mas a disco abriu portas (o compacto de 12 polegadas e a volta dos produtores mestres na manipulação de recursos de estúdio por exemplo). O Chic era, como diz seu nome, muito chique. Os homens vestiam ternos, as garotas vestidos de grife e sua música animava as festas mais badaladas do planeta. Mas a banda do baixista Bernard Edwards e do guitarrista Nile Rodgers ia além dessa frivolidade, por ser extremamente potente. Em sua época eles eram "a banda de discoteca que se podia gostar". Hoje ela é apenas uma das mais influentes formações já surgidas. Essa influência pôde ser sentida especialmente nos anos 80 quando Nile Rodgers se tornou um dos mais bem sucedidos produtores da década (Let's dance de David Bowie e Like a Virgin de Madonna são os maiores exemplos). Eles também criaram algumas das melhores linhas de baixo já ouvidas e invariavelmente elas ressurgiram ora adaptadas (como em Another One Bites The Dust do Queen) ou sampleadas mesmo. O baixo de A faixa também serviu de base para o primeiro rap gravado (Rapper's Delight da Sugarhill Gang) e também para o hit 2345meia78 de .
The Police
Ok, o grande momento de Sting e do Police foi Every Breath You Take e estamos conversados. Mas o fato é que o grupo entrou para a história por outros motivos além de ter escrito uma das melhores baladas dos últimos tempos. O grande lance do trio (completado por Andy Summers e Stewart Copeland) foi ter popularizado o termo "reggae de branco", ajudando a tornar o som da Jamaica palatável não só para roqueiros menos abertos mas para o público em geral. O grupo também contrariava a escola punk que dizia que quanto menos se soubesse tocar melhor. Todos os três policiais eram excelentes músicos, mas eles entenderam que o segredo estava na simplicidade. Nenhuma faixa da banda sintetiza melhor tudo que eles fizeram que Message In A Bottle. Dá até pra dizer que sem ela o rock brasileiro dos anos 80 teria sido bem diferente. Que o digam Os Paralamas do Sucesso, Blitz e Léo Jaime.
Pink Floyd
Quando surgiu em 1967 o Pink Floyd rapidamente se tornou a principal banda da cena psicodélica inglesa. Nessa época o líder da banda era Syd Barret (falecido em 2006). O Floyd de Barrett lançou compactos antológicos como See Emily play e Arnold Layne além do disco The Piper at Gates of Dawn. Infelizmente as “experiências" de Barret com alucinógenos não foi das melhores e já em 1968 ele se mostrava impossibilitado de seguir com a banda. Começava então o reinado de Roger Waters que transformou o grupo em uma das primeiras bandas do nascente rock progressivo. Sob o seu comando, eles conquistaram um público enorme ávido pelas viagens instrumentais do grupo e pelas letras paranóicas e depressivas de Roger. A bela Comfortably Numb está em The Wall, praticamente um disco solo de Waters. Uma das poucas exceções é essa música, feita em parceria com o guitarrista David Gilmour. A divisão bem definida entre os dois compositores lembra certos momentos dos Beatles onde se via claramente o que tinha sido feito por cada autor. Infelizmente esses momentos de colaboração foram raros na carreira da banda. Em 1983 eles lançaram The Final Cut (outro "solo" de Waters) e se despediu. Sem Roger os três remanescentes se reuniram e nasceu assim o "terceiro" Pink Floyd, que virou uma máquina de fazer dinheiro, apesar dos narizes torcidos dos fãs mais antigos e de toda a crítica.
Neil Young
Se existe alguém que personifica o rock, esse é Neil Young. Símbolo máximo do artista inquieto que assume os maiores riscos sem se importar com as conseqüências, Neil serve de modelo para quem acha que é possível ter uma carreira longa, instigante e digna. Grosso modo existem dois Neils: um que escreve baladas tranqüilas temperadas pelo folk e country. Esse gravou faixas como Heart of Gold, After the Goldrush e Helpless. O outro gosta de fazer barulho, de preferência ao lado do Crazy Horse, uma das duas ou três melhores bandas acompanhantes de todo o rock. Essa faceta pode ser conferida em discos como Zuma e em canções como Cinnamon Girl e Rockin' In The Free World. My acaba resumindo a questão, já que foi gravada dos dois modos no disco Rust Never Sleeps que tinha um lado elétrico e um acústico. Mais que isso ela é a música símbolo do artista com o famoso verso: "é melhor queimar que esvanecer" citado por Kurt Cobain na carta encontrada ao lado de seu corpo. Por causa disso Young (que viu que uma ou outra ferrugem na lataria não condena o carro por inteiro) disse que não iria mais cantar a canção. Felizmente ele mudou de idéia e a tocou em seu único show no Brasil (em 2001 no Rock in Rio 3).
Joy Division
Em 1979 o punk já dava sinais de desgaste. Foi quando o pós punk então surgiu. Várias bandas abraçaram o gênero (marcado por baixo pulsante, guitarras esparsas e canções intensas mas não necessariamente muito melódicas). O PIL, formado pelo ex-vocalista dos Sex Pistols Johnny Rotten, agora John Lydon, era especializado em experimentar com o reggae e o dub. A Gang of Four misturava punk com funk e muitos outros grupos surgiram expandindo os limites do rock. Acima de todos esses estava o Joy Division, um quarteto de Manchester que começou punk e em dois discos criou um som bastante original (com a ajuda fundamental do produtor Martin Hannet). Boa parte do que é chamado hoje de “rock dos anos 80” tem as suas origens no som da banda. Love Will Tear Us Apart, uma das mais dolorosas canções de amor desde sempre, deveria ter sido o trampolim da banda para o sucesso. Deveria, se Ian Curtis não tivesse se enforcado com apenas 23 anos às vésperas da primeira turnê norte-americana. Tony Wilson, o chefe da gravdora deles, a Factory, contou recentemente que logo depois do ocorrido um ainda jovem Bono lhe disse que estava pronto para assumir a missão de Ian. Os sobreviventes se reorganizaram como numa história que será vista mais adiante.
Motörhead
Os ventos de mudança do punk acabaram dando força também ao heavy metal.Várias bandas surgidas principalmente no fim dos 70 iriam se tornar grandes na década seguinte ou influenciar as futuras gerações de metaleiros. Assim o Judas Priest colocava pitadas de punk e new wave em seu som e chegava ao grande público americano, o Iron Maiden vinha com um som a princípio rude, e depois intrincado, para se tornar um dos maiores nomes de toda a história do gênero e o Def Leppard abria as portas (talvez sem querer) para a fusão do heavy metal com a música pop radiofônica. Mas quem acabou dando as diretrizes para o metal do futuro foi o Motörhead, com seu visual sujo e o som rápido, veloz e nem um pouco sutil. Cria de Lemmy Killmister o grupo abriu as portas para todas as variações underground do metal, que iriam desembocar no sucesso de massa do Metallica. Ace Of Spades é o grande momento do trio, é daquelas faixasque te dão vontade de chutar alguma coisa e você nem sabe o porquê. Se isso é bom ou mal nem vamos discutir, mas quantas músicas conseguem fazer alguém se sentir assim?
Talking Heads
No pop as coisas vem e vão. Nos anos 80 os Talking Heads eram sinônimo de música instigante, inteligente e inovadora. Nessa época não havia nada mais moderno que o disco Remain in Light e sua canção mais conhecida Once In A Lifetime. Com sua mistura de rock, pop transcontinental e letras nonsense, mais a produção de Brian Eno, o disco, e a música, marcaram a década. No resto dos 80's eles atingiram o grande público com Burning Down The House e mostraram que um show filmado poderia ser uma obra de arte em Stop making Sense. Nos anos 90, quando não mais existiam, o grupo raramente era lembrado ou citado. Pior ainda, o líder David Byrne ainda ficou com a fama de artista “cabeça” e aproveitador barato da música brasileira, latina e africana. Hoje tudo mudou. Os discos de sua banda foram relançados em edições luxuosas, a nova geração lhes presta tributo (Franz Ferdinand, Clap Your Hands and Say Yeah e Arcade Fire sendo bons exemplos) e perceberam que o selo do "aproveitador" Byrne estava lançando, e apresentando ao mundo, uns discos esquisitos, de artistas esquisitos de nomes também esquisitos como Mutantes e Tom Zé.
Soft Cell
Caso raro de regravação que supera a original, Tainted Love foi gravada pela primeira vez em 1964 pela cantora de soul Gloria Jones. Mas a versão que até hoje é ouvida (nem que de forma indireta: S.O.S. (Rescue Me) de Rihanna é construída sobre um sample dela) é a de 1981 gravada pela dupla Soft Cell. A música foi o compacto mais vendido de 1981 na Inglaterra e chegou entre os 10 mais dos EUA. Com o fim do punk um se número de novas vertentes e subvertentes surgiram no horizonte. A do tecnopop foi uma das mais bem sucedidas tanto artística quanto comercialmente e seguiria forte durante o resto da década graças a nomes como Depeche Mode, Human League, Associates e outros que descobriram na eletrônica um jeito novo e criativo de se fazer música. Na segunda metade dos anos 80 o gênero foi perdendo a força, mas grupos como os Pet Shop Boys e o Erasure mantiveram a chama do gênero viva.
Prince
Nos anos 80 Prince era o exemplo de artista moderno. Pegava super bem se dizer fã do cara, mesmo sem conseguir atravessar por completo seus álbuns. O fato é que o cantor tinha mesmo a ver com o período: uma época egoísta (por saber tocar mais de 30 instrumentos, ele podia, se quisesse, abdicar de sua banda), com interesses diversos (ali estava um negro que misturava sem cerimônia rock, pop, funk, soul e baladas românticas) e ultra preocupada com estilo e tecnologia. Mas nesse papo todo muitas vezes a gente se esqueceu que Prince era principalmente um compositor com tino para criar grandes compactos de sucesso (Purple Rain, When You Were Mine, When Doves Cry, Kiss, Raspberry Beret...). Dentre essas todas 1999 é a jóia da coroa, com sua introdução climática e a letra que conclama todos a dançarem como se fosse 1999. A música é tão boa que em pleno século 21 ela ainda faz sentido.
Michael Jackson
Michael Jackson já chamava a atenção desde os sete anos quando cantava no Jackson 5 com seus irmãos. No decorrer dos anos setenta tudo foi preparado para que ele se tornasse um dos maiores show man dos Estados Unidos. O primeiro passo foi começar a separá-lo de seus familiares. O segundo foi o disco Off the Wall e sua bem sacada mistura de estilos. O passo final foi o álbum Thriller, projetado milimetricamente para vender milhões. Assim o disco trazia baladas e um dueto com Paul McCartney para os mais velhos e românticos, solo de guitarra do Eddie Van Halen para os roqueiros e funk e r'n'b para os fãs de música negra. Para fechar o pacote vídeos clipes com cara de filme que quebraram de vez o boicote à artistas negros mantido pela MTV. Mas acima de tudo isso, Thriller tinha Billie Jean, exemplo maior do que se chama de pop perfeito, com sua linha de baixo inigualável e talvez o grande motivo pelo qual sempre olharemos para ele com respeito e admiração.
New Order
Durante a década de 80 o Joy Divison foi tomando proporções mitológicas. Os três músicos sobreviventes (acrescidos da tecladista Gillian Gilbert) tomaram a inteligente decisão de, aos poucos, se afastarem da sonoridade da antiga banda. Assim, o som soturno e melancólico, foi dando espaço a uma música dançante, eletrônica e... melancólica. Não seria exagero considerar Blue Monday a canção mais importante dos anos 80. Além de ter se tornado o compacto de 12 polegadas mais vendido da história na Inglaterra, a faixa serviu para quebrar preconceitos, abrindo os olhos dos roqueiros para a dance music (coisa que desde a discoteca não era muito bem vista) e vice-versa. Os descendentes ainda hoje estão surgindo. De Stone Roses ao Prodigy passando pelo Franz Ferdinand muita gente se beneficiou, mesmo que indiretamente, com as lições ensinadas pelo quarteto de Manchester.
R.E.M
Surgido no início dos anos 80, o R.E.M se tornou a banda favorita dos universitários e da crítica. Aos poucos eles se tornaram um dos maiores grupos do planeta. Exemplo de banda íntegra que faz tudo nos seus conformes, o quarteto sempre foi admirado não só pela música como pelo seu jeito simples de ser e de como conseguiu sobreviver à sua maneira dentro da grande máquina da indústria do entretenimento. Radio Free Europe, o primeiro compacto do grupo (lançado em edição limitada em 1981 e regravado dois anos depois para o disco de estreia Murmur), deu início a essa trajetória. Apesar de não ser um dos maiores sucessos da banda ela é importantíssima dentro da história do pop por algumas razões, sendo a principal delas a de ter estimulado um novo salto evolutivo ao rock de sua época (já era 1983 e o pós-punk e a new wave já estavam nas últimas) e por ter ajudado a cunhar o termo college rock (o rock tocado pelas rádios universitárias americanas, que, sem preocupações com audiência abriam seus microfones para toda uma nova geração de artistas). Resumindo, Radio Free Europe é o marco zero do rock alternativo.
Madonna
Com seu primeiro disco Madonna havia conseguido um certo sucesso e criado um bom número de pérolas pop (Borderline, Lucky Star, Holiday...). Com Like A Virgin ela deixou de ser uma artista de sucesso para virar não só a cantora mais bem sucedida da história, mas também um ícone, a mulher com quem os garotos sonhavam e que as meninas queriam ser. E pensar que em 85/86 um monte de gente dizia que a música feita pela cantora era descartável e que ela não duraria nem mais um ano...
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