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As 100 Músicas do Século

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The Stooges

- The Stooges: 1969
Ser adolescente nos EUA em 1969 não devia ser fácil. O fantasma do Vietnã rondando a casa, os Beatles se esfacelando, o pessoal se ligando que esse papo de paz e amor não ia levar a nada... Foi nesse clima que os Stooges surgiram para total incredulidade da comunidade rock. Ali estavam 4 moleques que mais pareciam um bando de doentes mentais, loucos por drogas fazendo algo que alguns anos depois se chamaria punk rock. Os Stooges originais deixaram apenas dois discos e um rastro de destruição, drogas, brigas e corações partidos no meio do caminho. Entre as suas canções essa diz muito sobre as suas intenções: “É 1969, outro ano para os USA, outro ano para mim e você, outro ano sem nada pra fazer”. Apesar de tamanho niilismo, os Stooges acabaram fazendo bem mais que a maioria dos mortais. Com o fim da banda apenas Iggy Pop conseguiu manter (aos trancos e barrancos) a sua carreira. Em 2005 ele reuniu os irmãos Asheton, sobreviventes da formação original, e pôs os Stooges novamente na estrada com direito a passagem pelo Brasil e tudo.
 

David Bowie

- David Bowie: Changes
Bowie foi o artista símbolo da década de 70. Entre as inúmeras canções de David Bowie essa é a que melhor o sintetiza, principalmente pelo refrão: “Mudanças: vire-se e encare o desconhecido”. Já que foi isso que Bowie sempre fez por toda a sua carreira: arriscou-se em gêneros e personagens sem saber como sairia no final. Changes foi gravada em Hunky Dury, o último lançado antes de dominar a Inglaterra com seu disco e personagem Ziggy Stardust e abrir as portas para o glam rock. Depois Bowie estaria livre para atirar para todos os lados: voltou ao passado em um disco de covers, descobriu a música negra norte americana, abriu caminhos para a música eletrônica e a world music e finalmente, com Let's dance, de 1983 se tornou um dos maiores astros do planeta. Até chegar ao personagem dos dias de hoje: o cara cool e antenado nas bandas mais legais (como os Nine Inch Nails e o Arcade Fire).
 

Nick Drake

- Nick Drake: Northern sky
Em seus poucos anos de vida Nick Drake não pode desfrutar do sucesso, pois morreu com apenas 26 anos (não se sabe se por overdose acidental de anti-depressivos ou suicídio mesmo) em 1974 deixando apenas três discos e um punhado de canções inéditas. Com o passar dos anos as suas delicadas composições foram atraindo um grande séquito de admiradores e influenciando muita gente no caminho (Renato Russo, que já havia gravado “Clothes of Sand” pretendia fazer um disco inteiro com suas músicas). A carreira de Drake se beneficiou de um fato interessante e que deveria sempre ser posto me prática. Sua gravadora sempre manteve seus discos em catálogo mesmo com pouca vendagem o que manteve o seu nome em voga por gerações sucessivas. A linda Northern Sky está presente em “Bryter Layter” o segundo disco e o mais indicado para se entrar em seu universo, pelos arranjos mais elaborados e por ser um trabalho mais para cima- até onde isso é possível- que seu disco anterior (Five Leaves Left) e posterior (o soturníssimo Pink Moon).
 

Simon & Garfunkel

- Simon & Garfunkel: Bridge Over Troubled Water
A dupla Simon & Garfunkel, já vinha de uma série de bons e bem sucedidos discos. Mrs Robinson havia entrado na trilha de “A Primeira Noite de um Homem” e a dupla já era famosa no mundo todo. No fim dos anos 60 os dois começaram a tomar rumos distintos e por isso o Lp Bridge over Troubled Water demorou dois anos para ser completado. Quando o álbum foi para as lojas ele se tornou o maior sucesso da dupla, passando 10 semanas no topo das paradas e vendendo mais de 13 milhões de cópias ao redor do globo. Bridge...a canção se tornaria não só um hit, mas um verdadeiro standart, aquele tipo de música que dada sua qualidade transcende gêneros, barreiras e gerações, muito por conta da interpretação emocionante de Art Garfunkel e da letra no melhor estilo “ofereço-te uma mão amiga”. Logo depois os dois se separaram. Simon prosseguiu solo em uma carreira de sucesso e vários momentos de brilhantismo. Garfunkel se deu menos bem, mas se descobriu um tremendo ator.
 

James Brown

- James Brown: Sex Machine
Até o surgimento de Michael Jackson não teve para quase ninguém. A maior estrela da música negra mundial era James Brown, o rei dos apelidos (Mr Dynamite, O cara que mais dá duro no showbusiness...). Nos anos 60 Brown lançou vários compactos que se tornaram clássicos e hits eternos em pistas de dança (I feel Good, Papa's got a brand new bag...) e aquele que é considerado o maior disco ao vivo já feito: Live at the Apollo Theater de 1963. No fim da década Brown tramou sua segunda revolução: ao invés de fazer canções na acepção clássica do termo, James resolveu limar quase tudo e jogar todo o foco no ritmo da bateria e do baixo. Nascia ali o funk e estava aberto o caminho para o surgimento do rap anos depois (não a toa ele semrpe foi o campeõe de samplers no mundo do hip hop). Sex machine é o melhor exemplo dessa nova maneira de se fazer música.
 

Black Sabbath

- Black Sabbath: Paranoid
Há quem amaldiçoe o Black Sabbath por ter criado, praticamente sozinho, o Heavy-Metal. Já uma horda de adolescentes espinhentos sempre estarão prontos ajoelharem-se perante Ozzy Osbourne, Tony Iommy e cia. Exemplo clássico de banda desdenhada pelo público dito “sério” em seu tempo, o Sabbath com o passar dos anos viria a ser considerado um dos grupos mais importantes e influentes do rock. Os temas sobre ocultismo, o carisma de Ozzy, os riffs poderosos de Iommy, tudo contribuía para um som pesado, soturno e viciante e que as vezes até emplacava nas paradas, como essa canção, a única da banda a figurar no top 5 inglês e clássico incontestável atualmente.
 

Derek and the Dominoes

- Derek And The Dominos: Layla
O guitarrista Eric Clapton já tinha feito história nos anos 60 como membro dos Yardbirds, Bluesbreakers e principalmente o Cream e era chamado de Deus (da guitarra, é bom frisar). Na década seguinte ele se tornaria um artista solo de grande sucesso, emplacando vários discos nas paradas.. Em 1970 Clapton formou o Derek and the Dominoes com alguns amigos e o guitarrista Duane Allman dos Allman Brothers. Layla é uma apaixonada declaração de amor para Patty Boyd – a saber, a ex-mulher de George Harrison e futura senhora Clapton- que costuma brincar dizendo que duas das maiores canções de amor do rock: essa, e Something dos Beatles, foram feitas para ela . Problemas com álcool e drogas acabaram prematuramente com o Derek and Dominoes e só Clapton escapou ileso. Duanne morreria em 1971 em um acidente de moto, o baixista Carl Raddle foi vítima de envenenamento por álcool e o baterista Jim Gordon terminou preso em 1984 pelo assassinato de sua própria mãe. Mas apesar de tanta desgraça tanto essa música, quanto o resto do único disco de estúdio deixado pelo grupo, são de uma grande felicidade.
 

The Who

- The Who: Won't Get Fooled Again
Em 1971 o Who já era uma mega-banda, principalmente por conta de Tommy, a ópera rock que vendeu horrores. Para dar seqüência àquele disco Pete Townshend veio com uma idéia ambiciosa que misturaria filme, um concerto gigante, o uso pioneiro do sintetizador e uma história que ninguém entendeu direito. O pacote todo se chamaria Lifehouse que, como era de se esperar, não vingou. Muito a contra-gosto Townshend então pegou as melhores músicas que havia composto para o projeto e assim nasceu“Who's Next” um dos discos mais queridos por fãs de bom rock. “Won't get fooled Again” se tornou um clássico e a canção mais emblemática da banda graças a força da banda (todos em seu auge como instrumentistas) e aos vocais de Roger Daltrey (há até quem defenda que o grito que ele dá quase no fim da canção é o maior momento da história do rock).
 

The Rolling Stones

- Rolling Stones: Brown Sugar
Em 1971 so Rolling Stones já eram a maior banda do mundo. Lançavam discos e compactos clássicos sem parar e atingiram o auge com Sticky Fingers (o disco que tem não só Brown Sugar como Wild Horses e Dead Flowers) e Exile on Main Street, o álbum posterior. Brown Sugar, apesar da letra pesada que fala de Heroína, se tornaria um dos grandes clássicos da banda e o padrão a ser seguido sempre que eles queriam fazer um “rockão tipo Stones” (como Start me Up por exemplo) e é uma das quatro ou cinco canções que jamais saem do repertório da banda.
 

Marvin Gaye

- Marvin Gaye: What's Going On
1971 foi a ano da virada para Gaye. Cansado de só cantar canções românticas com o mundo explodindo lá fora, ele bateu de frente com o chefão da Motown Berry Gordy exigindo gravar um disco abordando temas como racismo, ecologia e o Vietnã. Gordy se descabelou e disse não, mas acabou cedendo e não se arrependeu. What's going on, a música, chegou ao segundo lugar das paradas e se tornaria uma das canções mais emblemáticas do período. What's Going on, o álbum também causaria revolução e é considerado um dos dez melhores discos já feitos em nome da música pop.
 

Yes

- Yes: Roundabout
O mais vilipendiado dos estilos do rock merece um pouco mais de carinho. É claro que muita bobagem foi feita em nome do Rock progressivo, e não colocamos muitas músicas do gênero nessa lista porque o prog-rock não foi feito para ser sorvido aos poucos e sim tomado de goladas. Apesar das faixas longas, a maioria dos medalhões do gênero sabia fazer coisas de mais fácil aceitação. Assim o Genesis tinha “I Know what i Like”, o Rush “Closer to the Heart”, o Jethro Tull “Aqualung” e o Pink Floyd “Money”. Selecionamos essa música do Yes porque (além dela ser muito legal, óbvio) ela é da banda talvez mais associada com o gênero (e por isso a mais criticada) e, ao contrário de muita coisa feita na época, sobrevive bem ao tempo (que o diga Jack Black que indica a música para o futuro tecladista da “Escola de Rock”).
 

Jimmy Cliff

- Jimmy Cliff: The Harder They Come
Apesar de todas as conquistas de Bob Marley é sempre bom saber que provavelmente ele não teria chegado aonde chegou sem o pioneirismo de Jimmy Cliff. Jimmy desde os anos 60 já era figura conhecida em vários pontos do planeta (ele se apresentou até no Brasil em 1969 no Festival Internacional da Canção) e Bob Dylan disse que “Vietnam” era a melhor canção de protesto que ele já ouvira. O auge de Cliff se deu em 1973 quando estrelou o filme “Balada Sangrenta” ou “The Harder they come” no original. Mais importante ainda que o filme foi sua canção tema, que se tornaria um dos grandes clássicos do pop. “The Harder They Come” foi vertida para o português pelos Titãs em seu disco de estréia e regravada posteriormente com a participação do próprio Jimmy no bem sucedido Acústico MTV. A mesma versão fez sucesso na voz do Cidade Negra.
 

Elton John

- Elton John: Rocket Man
Outro mestre da composição (se você discorda fica o convite para ouvir seus álbuns gravados entre 69 e 75). O excêntrico Elton teve seu auge nos anos 70 onde tudo que ele fazia emplacava. Seus discos alternavam rock'n'roll básico, músicas meditativas bem ao estilo folk rock que imperou no começo dos anos 70 e, sua maior especialidade, baladas derramadas e poderosas o bastante para agradar a gregos e troianos. Rocket man saiu em 1971 e é um claro exemplo de um artista vivendo o auge de sua criatividade.
 

Big Star

- Big Star: The Ballad of El Goodo
Como o Velvet Underground, o Big Star teve de esperar para colher seus frutos. A banda foi a cria de Alex Chilton e Chris Bell que cansados do rock pomposo que dominava as rádios e paradas de então resolveram trazer de volta a música que lhes marcou tanto nos anos 60. Como era de se esperar, o mundo não estava muito a fim de uma volta ao som dos Beatles e Kinks em pleno 1972 e a banda acabou deixando um legado ínfimo de apenas três discos que não venderam quase nada (o terceiro só saiu anos depois do fim do grupo). Os anos se passaram e toda uma geração de bandas (notadamente o REM, os Replacements e o Teenage Fanclub já na década de 90) descobriram o som do Big Star que podia tanto ser melancólico/depressivo, quanto hard rock e pra cima era uma fonte inacabável de prazer. Ballad of El Goodo é seguramente uma das baladas mais lindas já escritas é só não foi um mega hit pr conta dessas injustiças inexplicáveis que no final fazem parte da história do pop. Chris Bell, que saiu logo depois do primeiro disco, morreu num acidente automobilístico em 1979. Alex Chilton – que já tinha feito sucesso nos anos 60 como membro dos Box tops- seguiu solo em uma carreira errática, para dizer o mínimo.
 

Stevie Wonder

- Stevie Wonder: Higher Ground
Um dos artistas mais completos já surgidos, Stevie Wonder começou nos anos 60 como “Little Stevie Wonder” - o gênio de 12 anos de idade. Na década seguinte Wonder já estava crescido e havia conseguido além de liberdade total de criação e produção um contrato milionário. Com o uso da melhor tecnologia que havia na época, Stevie gravou discos que vão durar anos e anos. Higher Ground, que foi regravada em 1989 pelos Red Hot Chili Peppers, é uma boa porta de entrada para o mundo mágico de Stevie e está no disco Innervisions (que tem vários outros hits como Living for the City e Don't you worry About a Thing). Vale muito a pena, na seqüência, conhecer outros de seus principais discos como Talking Book (que tem You are the Sunshine of my Life) e o ambicioso álbum duplo Songs in the Key of Life (com Isn't She Lovely).
 

Gram Parsons

- Gram Parsons: $1000 Wedding
Nos anos 60 rock era rock e country era country. A idéia de misturar as duas coisas soava absurda, já que um gênero era liberal e o outro conservador. Gram Parsons era um moleque caipirão que gostava dos dois estilos e resolveu provar que a mistura daria certo. Ele pôde colocar sua tese à prova quando entrou nos Byrds e ajudou a criar “Sweetheart of Rodeo”, o primeiro disco da cruza country e rock (e a terceira revolução sonora perpetrada pela banda como tínhamos falado lá atrás). Gram só ficou mesmo por um disco. Poucos meses depois ele abandonaria a banda e ainda levou o guitarrista Chris Hillman. Juntos eles formaram o Flying Burrito Brothers que lançou dois excelentes discos. Gram ficou amigo de Keith Richards e influenciou os Rolling Stones a criarem músicas como Dead Flowers e Wild Horses (os Burritos gravaram essa segunda antes dos Rolling Stones). Em carreira solo Gram só conseguiu gravar dois discos e o segundo, Grievous Angel, é melhor exemplo de seus talentos. Ao se ouvir a baladaça $1000 Wedding gravada em dueto com uma então desconhecida Emmylou Harris a vontade que se tem é de chorar: de emoção pela beleza da música e de tristeza ou raiva por ele ter partido tão cedo . Gram de tanto andar com Keith Richards achou que também tinha o dom da "imortalidade". Obviamente ele estava errado tendo morrido aos 26 anos vítima de uma overdose fatal em 19 de setembro de 1973, sem sequer tendo visto o lançamento de seu segundo Lp. Seu trabalho sobrevive até hoje nas canções de Wilco, REM, Elvis Costello e e em toda banda de rock americano que adiciona pitadas de country e folk em sua mistura.
 

Queen

- Queen: Bohemian Rhapsody
Tudo no Queen era exagerado. Nada mais justo então que a canção mais memorável da banda seja também a mais exagerada. Bohemian foi a grande obsessão de Freddy Mercury que segundo o baterista Roger Taylor “a tinha toda mapeada na cabeça”. Conta-se que de tantos overdubs (ou gravações sobrepostas de vozes e instrumentos) a fita master quase ficou transparente. Tão importante quanto a música em si foi o vídeo feito para ela. Gravado ás pressas porque a banda não poderia estar presente no Top of the Pops e a um custo baixíssimo, o clipe de Bohemian Rhapsody foi a prova definitiva de que os “promos” ou “tapes” (como costumavam ser chamados então) poderiam servir para alavancar as vendas de discos ao contrário do que se pensava até então.
 

Bob Marley

- Bob Marley: No Woman No Cry
Bob Marley foi a primeira (e até agora única) mega estrela surgida em um país terceiro mundista. Marley tornou o reggae da sua Jamaica natal, em um ritmo universal. As apresentações de Marley no Lyceum de Londres em 1975 são um dos momentos chave da história do pop. Muitos os consideram os melhores shows dos anos 70. Se você quer saber se existe um fundo de verdade nisso é só ouvir o disco Live, ou apenas essa versão definitiva de um de seus maiores sucessos. No Woman, No cry já havia saído no disco Natty Dread mas é difícil achar quem se lembre da versão original hoje em dia (e olha que era uma bela versão). No woman, também tem importância para nós brasileiros, já que foi com a versão de Gilberto Gil (gravada em seu disco Realce de 1978 como “Não Chores Mais”) que o grande público daqui travou seu primeiro contato com aquele novo ritmo(já a primeira menção ao termo reggae por aqui cabe a Caetano Veloso que o mencionou em sua “9 out of 10” de 1972.
 

Bruce Springsteen

- Bruce Springsteen: Thunder Road
É uma pena que no Brasil Bruce Springsteen seja constantemente visto como um cantor que escreve hinos ufanistas para os EUA. É bom saber que toda sua fama em seu país deriva do fato dele escrever sobre e para os excluídos do sonho americano e, especialmente, porque ele é um compositor de mão cheia. Bruce louva o povo comum em suas canções, os errantes e os que tem gosto pela vida na estrada. A carreira de Bruce deslanchou em 1975, com o disco Born to Run que o colocou simultaneamente na capa da Time e da Newsweek. Nessa época o rock atingia um nível baixíssimo com muita pompa, arrogância, discos fracos e um distanciamento do cada vez maior entre público e artistas. Bruce chegou com seu visual camiseta e jeans e entrega era a sua palavra de ordem (ele acreditava que só deveria deixar o palco após estar sofrendo de completa exaustão). Por isso para os Americanos Bruce tem o mesmo impacto do punk para os ingleses, já que foi ele quem mostrou que era a hora do rock voltar a ser contestador e divertido. Thunder road mesmo sem ser a sua canção mais famosa é considerada por vários fãs a sua melhor música. Nela estão vários temas caros a Bruce: o amor pela estrada, os ídolos esquecidos que tocam no carro (olha a paixão pelos excluídos aí de novo) e a certeza de que a felicidade pode ser encontrada nas coisas mais simples. Thunder road exerce um poder e fascínio tão grande que um número considerável de serviços funerários de vítimas do 11 de setembro aconteceram ao som da canção
 

Sex Pistols

- Sex Pistols: Anarchy In The U.K.
Se nos Estados Unidos o punk não vingou, na Inglaterra a história foi outra. Milhares de jovens cansados da monarquia, do rock pomposo, enfim de tudo, como é de se esperar quando se tem uma certa (pouca) idade, resolveram botar tudo abaixo em um dos períodos mais excitantes do rock. Ninguém simbolizou melhor essa geração que os Pistols para o bem (o carisma de Johnny Rotten, os grandes riffs do guitarrista Steve Jones) e para o mal (o niilismo desenfreado que acabou vitimando o segundo baixista Sid Vicious, com meros 21 anos e a idéia de que quase tudo feito ate então no rock deveria ser esquecido). O legado da banda se resume a apenas um disco (fora a trilha de “The Great Rock'n'Roll Swindle) mas ele perdura até hoje, basta ouvir Nirvana, Green Day, Offspring, Oasis e tantas outras que tentam emular, cada um a seu modo, os riffs de Steve Jones e a postura de Johnny Rotten e suas letras que misturavam raiva, política e bom humor (“eu sou um anarquista, sou o anticristo, não sei o que quero mas como conseguir, eu quero destruir”). Anarchy in UK é tão emblemática que ninguém deverá se surpreender se um dia ela começar a ser usada em salas de aula inglesas para explicar qual o era o estada das coisas no já longínquo 1976.

 
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