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As 100 Músicas do Século

 

Ike and Tina Turner

- Ike and Tina Turner: River Deep, Mountain High
O último grande momento de Phil Spector e o fim de uma era. Dessa vez ele contratou Tina Turner a peso de ouro (Ike Turner o marido, parceiro musical e espancador de esposa, ficou só olhando) e por meses trabalhou no que seria a sua maior criação. Em partes ele conseguiu seu feito, pois poucas músicas na história do pop são tão celebradas. O problema é que, apesar de ter atingido a terceira posição na parada britânica, o disco foi um gigantesco fracasso na América. Terminava ali a era dos produtores e Phil nunca mais se recuperaria apesar de ter gravado discos com John Lennon e George Harrison. Já Paul McCartney nunca perdoou o arranjo sentimental feito por ele para The Long And Winding Road no disco Let it Be dos Beatles. Ike and Tina Turner seguiram fazendo nos anos 60 e começo dos 70 um dos melhores shows que já se teve notícia. Um dia Tina se cansou dos abusos do marido e fugiu só com a roupa do corpo. Após anos difíceis ela conseguiu se reerguer para se tornar uma das maiores estrelas pop dos anos 80.
 

The Byrds

- The Byrds: Eight Miles High
Ao contrário do que se pensa, essa não é uma música sobre drogas. Mas fica difícil acreditar na história de que ela só fala sobre a primeira turnê dos Byrds pela Inglaterra. Tanto que a música na época foi banida em boa parte das rádios americanas. Se a letra em tese não fazia nenhuma alusão ao LSD, a música realmente parecia ter sido feita após uma grande viagem, especialmente por conta dos solos de guitarra de Roger McGuinn, inspirados diretamente na música do saxofonista John Coltrane. Eight Miles High é considerado o primeiro single psicodélico, influenciaria boa parte da música que foi ouvida no mundo nos anos seguintes e segue soando moderna e instigante.
 

The Beatles

- The Beatles: Strawberry Fields Forever
Cansados das fãs barulhentas e de todo o caos que os circundava, os Beatles decidiram parar de tocar ao vivo e se concentrar apenas nas sessões de gravação. A partir dali a banda iria se dedicar a compor e a experimentar drogas e novas técnicas de estúdio. Strawberry Fields Forever mostra esse novo lado deles, numa composição onde John Lennon relembra sua infância – Strawberry Fields era um orfanato onde ele brincava - em cima de uma melodia que soa ao mesmo tempo familiar e estranha. O mais engraçado é saber que o compacto (que também tinha Penny Lane do outro lado) hoje considerado um dos cinco ou dez fundamentais do rock, foi o primeiro do grupo em muito tempo a não atingir o primeiro lugar da parada inglesa.
 

The Kinks

- The Kinks: Waterloo Sunset
Mais característica do som dos Kinks essa balada melancólica é uma das músicas mais queridas pelos ingleses que costumam colocá-la nas primeiras posições quando fazem suas listas de “melhores compactos da história”. Essa ode ao jeito inglês de se viver mostra o porquê da banda de Ray Davies fazer parte do "quarteto fantástico" inglês com os Beatles, Rolling Stones e The Who.
 

Velvet Underground

- Velvet Underground: Venus In Furs
Em 1967 o mundo era só paz, amor e flores no cabelo, quer dizer, menos para esses Nova Iorquinos que preferiam cantar sobre traficantes, heroína, paranóia ou, como nessa canção, sado-masoquismo. Tudo regado a muita dissonância, barulhos diversos e, sim, até boas melodias pop. O primeiro disco do Velvet não vendeu nada em sua época, mas, como costuma ser dito, quem o comprou montou uma banda. O grupo de Lou Reed (e John Cale que saiu depois do segundo LP para se tornar artista solo e produtor) foi pra lá de visionário, já que o punk, o pós punk e os estilos dali derivados, jamais teriam existido sem a banda. Ainda assim na época com poucas vendas a banda sucumbiu. Felizmente um dos grandes fãs do grupo era David Bowie e foi ele quem tirou Lou Reed do limbo no início dos anos 70, produzindo seu disco mais famoso, Transformer.
 

Jimi Hendrix

- Jimi Hendrix: Purple Haze
Existem guitarristas e existe Jimi Hendrix. Até hoje ninguém conseguiu fazer tanto pelo instrumento em tão pouco tempo, já que ele morreu com meros 27 anos. Jimi experimentou timbres, efeitos e tocava muito, quer dizer MUITO. Na verdade ele achava mais legal gravar longas faixas experimentais, mas seu empresário Chas Chandler, dizia que seria mais jogo se ele, e sua banda, o Experience, lançassem músicas mais concisas que pudessem tocar na rádio. Purple Haze acaba servindo a todas as partes, já que poucas músicas tão inventivas e ousadas como essa chegaram às paradas desde então. Hendrix também quebrou barreiras raciais, já que ele nunca se preocupou em separar negros e brancos - fosse no palco, na platéia ou em sua música, que era livre para ir do funk, blues e soul até o folk, jazz, pop ou o rock psicodélico.
 

Beach Boys

- The Beach Boys: Good Vibrations
Depois de ouvir Rubber Soul, o líder dos Beach Boys ###ARTISTA##Brian Wilson### decidiu que sua missão era a de superar os Beatles. Pet Sounds foi o resultado direto dessa competição e ele podia se gabar de ter conseguido seu intento já que o trabalho resultou em um dos melhores, se não o melhor, discos de rock da história. Pet Sounds era para ter sido um começo. As ambições de Wilson atingiriam o ápice com Good Vibrations, o compacto que tomou as paradas de assalto em 1967. Gravado a um custo astronômico em diversos estúdios, a faixa seria a peça central do disco Smile. Infelizmente tomado por uma paranóia gigantesca que debilitou de vez o já frágil Wilson, Smile acabou abortado antes de seu término e os Beach Boys nunca mais teriam o mesmo sucesso. 37 anos depois Wilson resolveu enfrentar seu maior fantasma e em 2004 ele finalmente resolveu gravar e lançar Smile tal como ele imaginou nos anos 60. Público e críticos concordaram que a espera valeu a pena.
 

Jefferson Airplane

- Jefferson Airplane: White Rabbit
São Francisco foi o berço da psicodelia. De lá saíram inúmeras bandas afeitas a longas viagens instrumentais (geralmente servindo de trilha sonora para as viagens de ácido da galera). Em meio a nomes como Grateful Dead, Moby Grape, Big Brother and the Holding Co. (que revelaria Janis Joplin) e Quicksilver Messenger Service, brilhava o Jefferson Airplane responsáveis por bons discos além dessa música com seu ritmo oriental e a letra tão direta quanto se podia ser em 1967 ("uma pílula te deixa grande e outra pequeno, mas as que a suas mãe te dá não fazem nada") que chegou no top 10 americano. A revista inglesa Mojo a elegeu a melhor canção sobre drogas já escrita.
 

The Doors

- The Doors: Break On Through
Assim como o Velvet Underground, os Doors tinham um fascínio pelo lado oculto da vida. Mas se a banda de Lou Reed passou anos no ostracismo, os Doors do vocalista Jim Morrison se tornaram muito populares, tocando para garotinhas histéricas e se apresentando no Ed Sullivan Show. Jim tinha um comportamento errático por conta do abuso de substâncias lícitas e ilícitas. Sendo assim a banda era capaz de gravar grandes músicas e discos de material inferior. Break On Through obviamente entra na primeira lista, com a batidinha bossa-nova preparando a chegada do órgão de Ray Manzareck e a clássica entrada de Morrison: "You know the day destroys the night...". Os excessos custaram a vida de Jim que morreu em 1971, os sobreviventes tentaram continuar mas desistiram após gravarem dois discos que, até hoje, quase ninguém ouviu. O legado por sua vez só aumentou seja na influência direta exercida em bandas como The Cult ou Echo and the Bunnymen ou com os jovens fãs que conheceram a banda pelo filme biográfico dirigido nos anos 90 por Oliver Stone.
 

Procol Harum

- Procol Harum: A Whiter Shade of Pale
Mais um caso de "se essa banda só tivesse feito essa música já teria valido". A Whiter Shade of Pale tomou conta do planeta em 1967. A letra enigmática, a interpretação de Gary Broker e, especialmente, o solo de órgão descendente direto de Bach tornaram a música uma das mais tocadas não só da época como da história. Depois desse grande sucesso, a banda tentou, sem conseguir, emplacar outro single (Homburg) e lançou discos que passaram despercebidos pelo grande público, mas são bastante estimados pelos fãs de rock progressivo.
 

Aretha Franklin

- Aretha Franklin: Respect
Otis Redding compôs e gravou essa música primeiro e disse após ouvir a versão de Aretha Franklin que ela tinha roubado-lhe a música. Aretha pode ser considerada a maior cantora da história da música pop. Até hoje milhares de aspirantes tentam chegar no seu nível de interpretação e alcance vocal em vão. Um verdadeiro hino feminista, Respect demonstra bem os poderes dela e de todos que a circundavam (o time de ouro da gravadora Atlantic - gente como os produtores Jerry Wexler Tom Dowd e Arif Mardin, a Muscle Shoes band...). Fãs de cantoras como Mariah Carrey ou Whitney Houston fariam por bem em conhecer os trabalhos da cantora. Especialmente os gravados entre 1967 e 1973.
 

Otis Redding

- Otis Redding: Sitting On The Dock Of The Bay
Representante maior do soul da Stax, bem mais cru e pesado que o da Motown, Otis Redding estava pronto para se tornar não só um cantor de sucesso, como uma mega-estrela. Sua participação no Festival de Monterey tinha deixado todos de boca aberta e o sonhado crossover (quando um artista consegue transpor o seu nicho de mercado) acenava. Tudo isso acabou no dia 9 de dezembro de 1967 quando Otis morreu em um acidente aéreo logo após o término da gravação dessa música. Sitting On The Dock Of The Bay saiu poucos dias depois e atingiu o primeiro posto da parada americana. E assim como anos antes acontecera com Sam Cooke o que era pra ser o início de uma nova fase tornou-se o epitáfio de uma das maiores vozes da música norte-americana.
 

The Beatles

- The Beatles: Hey Jude
Passada a onda psicodélica os Beatles voltaram a um som mais básico mas nem por isso menos rico. Hey Jude escrita por Paul McCartney para o filho de John, Julian Lennon, foi além do primeiro lançamento da Apple, o selo da banda,o compacto mais vendido da carreira deles, mesmo tendo mais de 7 minutos. O compacto Hey Jude/Revolution marcou o início da fase final da banda, onde as músicas eram escritas em separado e os estilos dos compositores ficava mais proeminente: Lennon cada vez mais raivoso e politizado e McCartney mais introspectivo, esperançoso e baladeiro. George Harrison correria por fora e também iria contribuir com grandes canções para o repertório do grupo, notadamente em Something, que hoje só perde para Yesterday em número de regravações.
 

The Zombies

- The Zombies: Time Of The Season
Os Zombies começaram ainda na primeira metade dos anos 60 fazendo um som que mesclava Beatles com as viagens do órgão de Rod Argent. Em 1967 eles gravaram Odessey and Oracle - hoje presença obrigatória nas listas de grandes discos já feitos - e duas semanas depois se separaram, cansados da falta de sucesso. O disco só acabou saindo porque o influente Al Kooper implorou à gravadora. O resultado? Time Of The Season chegou ao número 1 da parada americana e se tornou a música tema de 1968 (sua levada inspiraria os Mutantes a criarem Ando Meio Desligado). Mesmo com todo esse sucesso o grupo decidiram não retornar e até hoje fãs se perguntam o que mais eles poderiam ter criado com um pouco mais de tempo... e sorte.
 

Marvin Gaye

- Marvin Gaye: I Heard It Through The Grapevine
Marvin Gaye foi mais um nome que fez história dentro da Motown. No começo ele gravava o soul típico da gravadora, repleto de cordas e belas melodias. I Heard through the Grapevine contou com a produção moderna de Norman Whitfield e além de ter marcado um novo ponto de partida para Marvin Gaye se tornou o compacto mais vendido da história do selo. Interessante é saber que a canção a princípio tinha sido colocada dentro de um álbum de Marvin apenas para preencher espaço até ser descoberta por um radialista de Chicago. Outra: antes de ganhar sua versão definitiva a música foi gravada por Gladys Knight que a levou para o segundo lugar da parada americana.
 

Creedence Clearwater Revival

- Creedence Clearwater Revival: Fortunate Son
O Creedence era o veículo de John Fogerty que resolveu levar o rock de volta às suas origens no blues, rockabilly e r'n'b e tendo o compacto como veículo de expressão fundamental. Assim ele tornou a sua banda uma das mais importantes e lucrativas de sua era. Fogerty lançava música atrás de música (só em 1969 foram 3 Lps) e elas sem erro iam parar nos postos mais altos da parada. Entre suas músicas mais antológicas estão Proud Mary, Have You Ever Seen The Rain? e muitas outras que até hojem fazem sucesso em rodas de violão, barzinhos e rádios de classic rock. Entre todas essas Fortunate Son foi a sua grande obra-prima. Um raivoso manifesto anti Vietnã que lembrava que muitos iam para a guerra por não terem as costas quentes.
 

Elvis Presley

- Elvis Presley: Suspicious Minds
Nos anos 60 Elvis perdeu terreno para os artistas da Invasão britânica e para outros gêneros que tomaram forma na década (como o soul dos selos Motown e Stax e o folk de protesto). Presley seguia o conselho do Coronel Parker, seu empresário, que dizia que rock era coisa passageira e sugeriu que ele se concentrasse no cinema. Por isso, ele nunca mais havia pisado em um palco desde o fim da década de 50. Em 1968 ele resolveu voltar a ser o Rei. Gravou um especial para TV que ficou conhecido como "O show da volta" e retornou à Memphis para gravar nos estúdios Muscle Shoals. Lá registrou um punhado de canções repletas de soul, country e blues que viraram o disco "From Elvis in Memphis". Dentre essas uma se destacou logo de cara, era Suspicious Minds que o colocou novamente no primeiro lugar da parada.
 

The Band

- The Band: The Night They Drove Old Dixie Down
Diz-se que The Band foi a melhor banda de rock... do século XIX. Esse grupo de maioria canadense realmente parecia viver em outra era e, por mais estranho que pareça, é isso que ainda hoje os torna tão atemporais e frescos. Antes de virarem "A Banda" os membros do grupo haviam, entre outras coisas, acompanhado Dylan em sua polêmica turnê de 66, quando ele abandonou a gaita e violão para partir para o rock'n'roll e ganhou em troca uma chuva de vaias por onde passou. Também ao lado de Dylan eles gravaram em 1967 as célebres Basement Tapes (uma série de gravações caseiras repletas de folk, blues, humor e rusticidade, isso quando o resto da realeza do rock abraçava o psicodelismo, que era futurista e colorido por definição). Em 68 eles chegaram ao primeiro álbum e criaram todo um movimento de “volta às raízes” e vida bucólica. O segundo disco foi ainda melhor e é dele que vem The Night They Drove Old Dixie Down, canção de forte carga emocional que conta um episódio da guerra da Secessão do ponto de vista dos sulistas.
 

Led Zeppelin

- Led Zeppelin: Whole lotta love
Passada a onda psicodélica algumas bandas voltaram para o rock mais básico enquanto outras preferiram seguir viajando. Desse embate nasceriam dois dos estilos que definiram os anos 70: o rock progressivo e o hard rock/heavy metal. O Led deu seqüência às idéias do Cream de Eric Clapton e de Jimi Hendrix: um som pesado e com forte influência do blues americano. A essa receita o líder e guitarrista Jimmy Page acrescentou umas pitadas de música celta, um baterista mosntruoso (John Bohan falecido em 1980, selando o fim da banda) e um baixista quietinho mas muito talentoso chamado John Paul Jones. Ah tinha também o vocalista e sex symbol Robert Plant e seu jeitão de hippie e fã do “Senhor dos Anéis”. Some a isso um empresário brutamontes (que chegava a cobrar 90% da bilheteria dos shows) e o resultado não poderia ser diferente: O Led Zeppelin se tornou a maior banda dos anos 70, mesmo com a crítica toda caindo de pau (coisa difícil de se acreditar hoje em dia). Selecionar uma ou duas músicas do grupo também é tarefa complicada. Stairway To Heaven talvez até fosse a escolha mais óbvia, mas é em Whole lotta love que se cristaliza o som da banda com o vocal gritado, o riff que todo guitarrista mais cedo ou mais tarde aprende a tocar e a parte final com o uso do Theremin selando a mistura de passado e futuro. Detalhe: o Zeppelin tinha o "hábito" de roubar antigos blues e renomeá-los (sem dar crédito nenhum para os autores). Para muitos a música é somente uma versão turbinada de um antigo blues gravado por Muddy Waters You Need Love. A semelhança fez com que o compositor Willie Dixon ganhasse parceria na música.
 

Sly And The Family Stone

- Sly And The Family Stone: I Want To Take You Higher
Sly Stone foi pioneiro na integração entre música e músicos negros e brancos. Ao lado da Family Stone ele forjou um som único que misturava soul, funk, pop e rock em uma série de ábuns e compactos importantíssimos. A sua faixa que ficou mais célebre é essa aqui, especialmente depois dela ter entrado no documentário sobre Woodstock - onde a banda fez para muitos o melhor show de todo o evento.